O resultado das urnas no dia 1º de outubro vai mostrar com clareza quais os candidatos que herdaram os ônus e os bônus das polêmicas comissões parlamentares de inquérito (CPIs) que investigaram denúncias de corrupção no governo federal.
Entre os mais de 5.300 candidatos dos 27 estados da Federação na disputa pelas 513 cadeiras da Câmara de Deputados, estão 69 parlamentares citados por envolvimento nos escândalos do mensalão e dos sanguessugas cuja CPI foi recentemente instaurada. Paralelamente, 81 deputados e senadores passaram grande parte do tempo entre junho de 2005 e junho de 2006 trabalhando na apuração dos casos, que culminaram na cassação dos mandatos de José Dirceu (PT-SP), Roberto Jefferson (PTB-RJ) e Pedro Corrêa (PP-PE). Paulo Rocha (PT-PA), José Borba (PMDB-PR), Valdemar da Costa Neto (PL-SP) e Carlos Rodrigues (PL-RJ) renunciaram a seus mandatos para fugir a processos de cassação, e outros 11 foram absolvidos das acusações. Entre os que renunciaram e que foram absolvidos, pelo menos sete disputam a reeleição.
Os dois deputados paranaenses denunciados por envolvimento no mensalão, Janene e Borba, estão fora da disputa de 1º de outubro. Janene que aguarda julgamento do processo de cassação na Câmara não registrou candidatura, e Borba teve o registro impugnado pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
Do outro lado, estão os parlamentares que ganharam visível projeção com as investigações. O relator da CPMI dos Correios, Osmar Serraglio (PMDB), por exemplo, que ao longo do segundo mandato nunca havia concedido uma entrevista coletiva, foi entrevistado/citado em 239 reportagens e colunas publicadas pela Folha durante as investigações. Serraglio ainda foi citado para compor a chapa de Roberto Requião (PMDB) na disputa pelo Palácio Iguaçu.
O deputado federal Gustavo Fruet (PSDB), que foi sub-relator da CPMI dos Correios, também ganhou visibilidade com as investigações. O levantamento feito pela Folha mostra que ele foi destaque em 106 matérias ou notas no período da comissão. Fruet também ganhou o apoio dos correligionários paranaenses, que chegaram a apontá-lo como possível candidato ao governo do Paraná. Uma amostra do prestígio foi dada no jantar de lançamento da candidatura à reeleição em Curitiba, que reuniu quase 6 mil pessoas. No mesmo dia, o presidenciável tucano Geraldo Alckmin, em visita pela cidade, ganhou o apoio de menos de 500 pessoas na Boca Maldita.
Além dos deputados, o senador Alvaro Dias (PSDB), ganhou os holofotes durante sua participação nas investigações da CPI dos Bingos e dos Correios. Alvaro foi citado 43 vezes na Folha e visto inúmeras vezes nos telejornais nacionais. A exposição certamente teve reflexos nos percentuais de intenção de voto alcançados pelo tucano. Pesquisa divulgada esta semana aponta 54% da intenção de voto dos paranaenses.

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