Urnas rejeitam conhecidos políticos
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quarta-feira, 07 de outubro de 1998
Marcelo de Moraes Agência Estado 
As urnas deixaram de ajudar importantes políticos nessas eleições. Apesar de toda a experiência, políticos como o ex-ministro da Previdência Social Reinhold Stephanes (PFL-PR) e o senador Élcio Álvares (PFL-ES), líder do governo no Senado, não conseguiram renovar o mandato. No Paraná, Stephanes conseguiu pouco mais de 37 mil votos, menos da metade que obtivera na eleição passada, quando foi um dos campeões de voto no Estado. Depois, Stephanes foi chamado para comandar o Ministério da Previdência Social e pode ter sofrido desgaste político por comandar o processo de reforma constitucional no setor.
Outro veterano do PFL, Antônio Ueno, de 75 anos, não se reelegeu. Ao lado de Rubem Medina, deputado do Rio, Ueno era o parlamentar com maior número de mandatos consecutivos - oito, ao todo - sendo eleito desde 1971. Como Medina se reelegeu, passa a ser o parlamentar mais antigo no Congresso. No Paraná, outras surpresas foram as derrotas dos deputados Paulo Bernardo (PT) e de Maurício Requião (PMDB), irmão do senador Roberto Requião.
No Rio, o veterano Álvaro Vale, presidente nacional do PL, não conseguiu a vaga. O deputado Sérgio Arouca (PPS), conhecido pela forte atuação na área da saúde, também não foi reeleito.
O deputado Lindberg Farias (PSTU) teve uma situação mais decepcionante, uma vez que obteve mais de 70 mil votos, que seriam suficientes para garantir a reeleição. O problema é que o PSTU teve um número de votos abaixo do coeficiente eleitoral mínimo para ter um deputado federal e Farias ficou de fora.
A oposição também sofreu baixas no Distrito Federal. O PPS perdeu o único deputado federal na capital, uma vez que Augusto Carvalho preferiu concorrer ao Senado e terminou apenas em terceiro lugar, atrás de Luiz Estevão (PMDB), que foi eleito, e Arlete Sampaio (PT). Os deputados petistas Chico Vigilante e Maria Laura também não se reelegeram. O PT, no entanto, conseguiu eleger dois novos federais em Brasília: Geraldo Magela e Pedro Celso.
No Senado, as baixas governistas foram sérias. Além do senador Élcio Álvares, os senadores Guilherme Palmeira (PFL-AL), Júlio Campos (PFL-MT), Flaviano Mello (PMDB-AC) e Odacir Soares (PTB-RO) deixam o Senado. O líder do PPB no Senado, Epitácio Cafeteira (MA), tentou a disputa pelo governo do Maranhão e foi derrotado pela governadora Roseana Sarney (PFL).
Outros políticos tradicionais preferiram nem participar das eleições, como José Eduardo Andrade Vieira (PTB-PR) e Josaphat Marinho (PFL-BA). O senador Beni Veras (PSDB-CE) trocou o Congresso pelo posto de vice-governador de Tasso Jereissati (PSDB). O senador Joel de Hollanda (PFL-PE), que assumiu a vaga com a saída do vice-presidente Marco Maciel, quando ele se elegeu na primeira vez, disputou uma vaga na Câmara. Ontem, antes do fim da apuração, ele ainda estava na zona de candidatos com boas possibilidades de se eleger.


