A Justiça Eleitoral conferiu e lacrou ontem as 460 urnas eletrônicas que serão usadas neste domingo, durante o plebiscito que decidirá se a Sercomtel Celular será ou não vendida. Os equipamentos ficarão no Parque de Exposições Ney Braga até amanhã, quando serão levados aos 129 locais de votação. A prefeitura escalou 1,6 mil funcionários e o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) enviará 12 técnicos em informática para trabalhar na eleição. O presidente do TRE, Roberto Pacheco Rocha e o diretor-geral do órgão, Ivan Gradowski, deverão acompanhar a votação.

Também virá a Londrina o secretário de Informática do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Paulo César Camarão. Durante a votação será testado um sistema de transmissão de dados diretamente das urnas para o TRE em Curitiba. O TSE estuda a possibilidade de utilizar a transmissão de dados ''on line'' nas eleições gerais do ano que vem. ''Os trabalhos estão transcorrendo normalmente e no domingo, das 8 às 17 horas, funcionarão as seções eleitorais'', afirmou o juiz Arquelau Araújo Ribas, responsável pela organização do plebiscito.

Parte das seções eleitorais foi agregada, mas a chefe do cartório da 41 Zona Eleitoral, Rosa Maccagnan, disse que os locais de votação serão os mesmos do pleito convencional. Quem costuma votar nos bancos Banespa, Finasa, Bradesco e Itaú, no centro, deve ficar atento. Essas seções foram agrupadas na agência centro do Banco do Brasil, no Calçadão.

Ontem de manhã, a Associação dos Proprietários de Terminais Telefônicos de Londrina (Aprottel) impetrou uma medida cautelar no Fórum de Londrina, contra a venda das ações da Sercomtel Celular. O objetivo da Aprottel é garantir o direito dos proprietários de terminais, caso o plebiscito aprove a venda da empresa. A entidade pede à Justiça que só autorize a venda de ações após o município garantir o direito dos proprietários. A ação foi distribuída para o juiz da 3 Vara Cível, Vitor Roberto Silva.

De acordo com o advogado Ronaldo Neves, existem duas leis municipais que garantem o direito dos proprietários na participação acionária da Sercomtel. Segundo ele, em 1999 o Tribunal de Justiça (TJ) concedeu uma liminar proibindo a venda das ações restantes da Sercomtel (55%). Na medida cautelar, a Aprottel pede a extensão dessa liminar às ações da Celular.

''Se o município tiver um único minuto de legalidade, imedidatamente promoverá a venda de suas ações totais à TIM Celular, que está de boca aberta esperando esse mercado'', comentou. Na opinião de Neves, somente os proprietários deveriam votar no plebiscito sobre a venda da empresa.

O promotor Leonir Batisti (que está respondendo pela Promotoria de Defesa do Consumidor) também entende que os proprietários de linhas telefônicas têm direito a ações preferenciais da empresa. Segundo ele, existem aproximadamente 65 mil proprietários, que teriam direito a 20% do capital da Sercomtel (telefonia fixa). Batisti se reúne na próxima semana com o prefeito Nedson Micheleti (PT) e aposta num entendimento, evitando uma cobrança judicial.

mockup