Urnas confirmam derrocada do PFL no Paraná
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segunda-feira, 04 de outubro de 2004
Rodrigo Sais<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O resultado das urnas não apontam claramente um partido que tenha emergido como o grande vencedor após as eleições de domingo no Paraná, até porque as quatro maiores cidades do Estado ainda disputarão o segundo turno. Porém, o partido que sofreu o maior impacto é fácil de apontar: o PFL, que já tinha visto sua bancada de deputados estaduais e federais encolher em 2002, registra agora uma queda brutal no número de prefeituras que controla no Paraná.
A queda do partido que governou o Paraná com Jaime Lerner (hoje no PSB) até 2002 foi significativa. Segundo dados da Associação dos Municípios do Paraná (AMP), o PFL controla atualmente 80 prefeituras no Estado, incluindo a capital. Após a posse dos novos prefeitos em 2000 a sigla só irá administrar 25 municípios do Estado. A votação total obtida pelo partido também foi pequena comparada com os anos de glória do partido: somando todos os votos para candidatos a prefeito do PFL, a sigla foi apenas a sétima mais votada, com 5,87% dos votos válidos.
O presidente do PFL, Abelardo Lupion, garante que o resultado numérico não condiz com a realidade do partido. ''O fato de o PFL não ter sido cabeça de chapa em muitos municípios não significa que não estaremos participando do poder. Em 66 municípios nos quais me envolvi, em 26 o PFL elegeu ou o prefeito ou alguém que irá nos dar apoio nas eleições futuras. Em Curitiba, apesar de termos tido um desempenho ruim na eleição para prefeito (com Osmar Bertoldi), temos a maior bancada da Câmara com cinco vereadores'', analisou.
Quem mais pode comemorar o crescimento das urnas são o PPS e o PDT. ''Saltamos de 16 para 34 prefeituras, graças a um trabalho de restruturação sério, expulsando quem não se encaixava na filosofia do partido. Não abrimos concessões, e os resultados são extremamente positivos'', comemorou o presidente estadual do PPS, Rubens Bueno. O partido obteve a quarta maior votação para prefeito no Estado. O PDT, que dobrou suas prefeituras e administrará 44 municípios a partir do ano que vem, obteve a quinta maior votação.
O PMDB tem alguns motivos para comemorar o crescimento das prefeituras que administra, embora os membros do partido não neguem que esperavam um crescimento maior. A sigla do governador Roberto Requião governará a partir do ano que vem 120 prefeituras, 38 a mais do que atualmente. Porém, derrotas em cidades como Foz do Iguaçu, Pato Branco e Matinhos desagradaram a cúpula do partido.
Já o PT e o PSDB terão que aguardar o segundo turno para decidir se poderão soltar rojões ou se irão lamentar o ano de 2004. O PSDB sofreu um baque pesado ao ver as prefeituras que controla diminuirem das atuais 94 para 49 em 2005, mas ainda pode reverter a situação caso consiga sair vitorioso em Curitiba com Beto Richa e com Pedro Wosgrau Filho em Ponta Grossa. O PT, que saltou de 10 para 28 prefeituras só poderá comemorar caso mantenha a prefeitura nas três cidades-pólo que governa (Londrina, Maringá e Ponta Grossa), ou que perca em alguma mas vença em Curitiba com Angelo Vanhoni.


