Urnas anunciam divisão e equilíbrio de forças
A vitória tucana no primeiro turno para o Governo do Estado e a eleição de Gleisi Hoffmann (PT) e de Roberto Requião (PMDB) para o Senado Federal confirma, claramente, a divisão do Paraná em duas grandes forças políticas. Por outro lado, segundo analistas ouvidos pela FOLHA, o resultado que saiu das urnas preserva o tradicional equilíbrio entre lideranças políticas paranaenses.
A vitória em primeiro turno de um candidato a governador não é novidade no Paraná. Em 1998, dez anos após ser instituída a eleição em dois turnos, Jaime Lerner derrotou Requião e foi reeleito para o cargo que ocupava desde 1994. ''A eleição em primeiro turno já era esperada. O fator surpresa ficou por conta de que não tínhamos nenhuma possibilidade de apontar o vencedor, porque a última pesquisa de intenção de voto apontava empate entre os dois principais candidatos'', observou o analista político e professor de Ética e Filosofia Política da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Clodomiro Bannwart Júnior.
Para o analista, a voz das urnas assinala de forma inconteste que o Paraná permanece rachado politicamente. De um lado, consolida a força política do grupo representado pelo grupo apoiador de Beto Richa, que se assenta agora como referência não só para Curitiba e região metropolitana mas também para o interior. De outro lado, o resultado destas eleições dá sobrevida às tradicionais lideranças simbolizadas por Roberto Requião, que conseguiu uma das vagas ao Senado Federal junto com a petista Gleisi Hoffmann, e Osmar Dias.
''Considero que a divisão vai manter o equilíbrio e isso para o processo democrático é altamente saudável'', comentou o professor.
Bannwart Júnior destacou ainda que a vitória de Beto no primeiro turno reflete que o eleitor assimilou bem a ideia de que um bom governo depende de um bom gestor. Em outras palavras, além de um político, o paranaense mostrou que espera que o próximo governador administre para todo o Estado, sem deixar de observar as diferenças e desafios regionais. O analista opinou também que o resultado confirmou que a aliança entre Requião e Osmar não foi bem aceita pelo eleitor. ''Por um lado, a ideia de gestor público eficaz é vista com bons olhos pelo eleitorado, que quer resultados eficazes na economia. Portanto, a mensurabilidade do voto passou muito mais por caráter econômico do pelo que político. Por outro lado, (o resultado mostrou que) a junção de Requião com Osmar não pegou porque (a imagem de serem opositores) permaneceu muito presente da eleição passada'', afirmou.
Já o cientista político Antônio Celso Mendes viu na vitória de Beto Richa um prenúncio de renovação, apesar de ter sobre si o peso da tradição política familiar. ''O Beto não deixa de representar um desejo de renovação, capaz de fazer o Estado progredir em todas as suas potencialidades'', ressaltou o especialista. Ele também considerou que a eleição do tucano é um sinal de que ''o eleitor quer um gestor e que está sedento por qualidades independentes da política''.
De acordo com Mendes, a expressiva votação de Beto tanto na capital quanto no interior reflete ''o poder globalizado da informação'' junto ao eleitor. Com mais informações, o paranaense decidiu ''por aquele que, neste momento, inspirava mais confiança''. (L.A.)





