O número de votos brancos e nulos deverá diminuir nas próximas eleições, em razão da ampliação do uso da urna eletrônica. A previsão é do cientista político Jairo Marconi Nicolau, que fez seus cálculos a partir do resultado da eleição para prefeito e vereador de 1996, a primeira em que o voto eletrônico foi utilizado no País. Naquela eleição, o número de votos brancos e nulos caiu em 55 dos 57 municípios que adotaram a máquina de votar. Em média, o percentual de votos inválidos diminuiu quase 50%.
Mas houve cidades, como São Paulo, em que a redução do índice chegou a 71%, de acordo com o levantamento de Nicolau, que é professor de ciência política do Iuperj (Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro) e autor do livro ‘‘Participação Eleitoral no Brasil’’. Nicolau estima que a urna eletrônica poderá aumentar em quase 10 milhões o número de votos válidos para deputado federal e estadual, num universo de cerca de 100 milhões de eleitores.
As eleições legislativas são as que apresentam o maior percentual de votos brancos e nulos (42,5%). O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) também espera redução dos votos inválidos com base na eleição de 96, mas não faz estimativas sobre o tamanho da queda.
Em 96, 32,5 milhões de eleitores usaram a urna eletrônica. Nas próximas eleições, esse número será de 57,7 milhões. A interação entre os eleitores e a máquina de votar acabou se revelando mais fácil do que muitos esperavam. Pesquisa realizada pelo professor de ciência política da USP (Universidade de São Paulo) José Augusto Guilhon Albuquerque com 2.000 eleitores em 96 revelou que 92,3% dos entrevistados consideraram que a urna eletrônica facilitou o processo de votação.
O estudo de Albuquerque também indicou que a maior facilidade apontada pelos eleitores foi um dos principais fatores de redução dos votos brancos e nulos. O professor da Universidade de São Paulo pesquisou os motivos que levaram eleitores a invalidar seu voto nas eleições de 1994 e 1996. Nas duas ocasiões foram entrevistadas 2.000 pessoas em São Paulo. Em 94, 35% dos eleitores que votaram nulo ou em branco atribuíram a escolha à dificuldade de votar. No pleito de 96, quando foi usada a urna eletrônica, esse percentual caiu para 2,2%.
A rejeição ao processo eleitoral ou aos candidatos passou a ser praticamente a única motivação do voto inválido. Albuquerque prefere não fazer previsões sobre a redução ou crescimento dos votos brancos e nulos nas próximas eleições. Segundo ele, o uso da urna eletrônica será dificultado pelo grande número de escolhas - cinco - que o eleitor terá de fazer nas eleições deste ano. Em 1996 eram apenas duas.
Quando usar a máquina de votar, o eleitor irá encontrar a seguinte ordem: deputado federal, deputado estadual, presidente, governador e senador. Nicolau, do Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro, concorda que o voto eletrônico será mais difícil. Mas, mesmo assim, o professor aposta no aumento do total de votos válidos. A familiaridade crescente da população com tecnologias eletrônicas é uma das razões apontadas por ele para justificar sua previsão. Nicolau acrescenta que as teclas da urna eletrônica são semelhantes às de um telefone - aparelho com o qual a maioria do eleitorado está familiarizada.

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