Bogotá - O direitista Alvaro Uribe Vélez, 49, é o novo presidente eleito da Colômbia, segundo dados da organização eleitoral. Com 91% dos votos apurados, até as 18h15 (20h15 em Brasília), Uribe tinha 53,2% dos votos, o suficiente para vencer já no primeiro turno. Seu principal adversário, o liberal Horacio Serpa (centro), 59, tinha 31,5% dos votos.
O esquerdista Luis Eduardo Garzón, 51, aparecia com 6,3% dos votos, e a ex-chanceler Noemí Sanín, 53, com 5,9%. A ex-senadora Ingrid Betancourt, 40, do Partido Oxigênio Verde, sequestrada há três meses pelas Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia), tinha 0,5%. Para os analistas, a ampla votação de Uribe indica a opção dos colombianos por uma ação militar mais dura.
Há quatro anos, o atual presidente, Andrés Pastrana, derrotara Horacio Serpa no segundo turno da eleição prometendo a paz. Mas o fracasso do diálogo com as Farc, principal grupo guerrilheiro do país, rompido em fevereiro último, provocou a mudança na opinião pública. O rompimento do processo provocou um agravamento no conflito, que já dura quatro décadas e tem deixado cerca de 3,5 mil mortos por ano.
Uribe prometeu em sua campanha dobrar o efetivo do Exército e da Polícia Nacional e aumentar em US$ 1 bilhão o orçamento para a Defesa. Ele também se disse favorável a uma maior participação dos Estados Unidos no conflito. O governo americano é o principal financiador do Plano Colômbia, de combate ao narcotráfico, com US$ 1,3 bilhão, e estuda permitir que os recursos possam ser utilizados também no combate aos grupos armados ilegais.
Por conta de seu discurso belicista, Uribe foi alvo de ameaças das Farc durante a campanha. Em abril, ele saiu ileso de um atentado a bomba contra sua comitiva em Barranquilla (norte), no qual quatro pessoas morreram. Para garantir sua segurança, o órgão eleitoral fez uma concessão e habilitou ontem cinco locais diferentes para que Uribe pudesse votar. Ele acabou votando às 15h, uma hora antes do fechamento das urnas, na praça Bolívar (centro). Cerca de 210 mil homens do Exército e da Polícia Nacional foram destacados para fazer a segurança da votação.
Ao mesmo tempo, observadores da OEA (Organização dos Estados Americanos) advertiram que grupos paramilitares de direita pressionaram eleitores em sua base de atuação para que votassem em Uribe.
Em pelo menos oito dos 1.098 municípios do país a eleição foi cancelada, porque guerrilheiros das Farc destruíram o material de votação. Cinco Departamentos (Estados) do país estavam sem luz ontem por causa da derrubada de torres de transmissão de energia pela guerrilha.
Ao votar pela manhã, no centro de Bogotá, o presidente Andrés Pastrana afirmou que o processo eleitoral foi ‘‘possivelmente um dos mais difíceis da história recente da Colômbia’’.

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