Curitiba - Uma semana depois de a Prefeitura de Curitiba ser alvo de denúncias contra o chefe de gabinete do prefeito Beto Richa (PSDB), Ezequias Moreira Rodrigues, é a vez de a Urbanização de Curitiba (Urbs), a empresa responsável pelo gerenciamento do transporte coletivo, virar foco de suspeitas de desvio de verbas. Uma sindicância levantou suspeitas de desvios na Urbs, o que gerou o afastamento de um diretor e a demissão de um advogado.
A sindicância, iniciada em abril, apontou indícios de desvio de dinheiro. Depois dessa sindicância, foi contratada uma auditoria externa, segundo o presidente da Urbs, Paulo Schmidt. A auditoria foi iniciada há cerca de um mês e deve ser concluída em meados de outubro.
De acordo com Schmidt, faltariam recibos de alguns depósitos. Esses comprovantes, segundo ele, deveriam ter sido fornecidos pelo então procurador jurídico da Urbs, o advogado Sidney Martins. No decorrer da sindicância, o advogado foi demitido.
Martins, que era o chefe do departamento jurídico da empresa, onde estava há 24 anos, disse à FOLHA que as denúncias surgiram por ''questões políticas''. O advogado afirmou que credores da Urbs desde 2003 tentam bloquear dinheiro, e por isso a diretoria da empresa teria orientado seu setor para evitar as movimentações bancárias. O advogado acredita estar sendo usado como ''bode expiatório'' e adiantou que pretende entrar com uma ação contra a empresa.
Ricardo Smijtink, diretor administrativo e financeiro afastado, disse que foi ele quem encaminhou a denúncia ao Ministério Público, há cerca de quatro meses. Smijtink, que é funcionário público e foi secretário de Estado da Administração do governo Jaime Lerner (PSB), afirmou ele mesmo pediu seu afastamento, para não atrapalhar as investigações. O pedido de afastamento foi confirmado por Schmidt.
O diretor afastado disse ainda confiar que tudo será esclarecido. Ele colocou à disposição a quebra de seus sigilos bancário e fiscal.
Para complicar ainda mais as denúncias, Sindicato dos Trabalhadores em Urbanização de Curitiba (SindiUrbano), entidade que representa os trabalhadores da Urbs, denunciou ontem que a Urbs teria utilizado cheques da Prefeitura de Curitiba para efetuar pagamentos de suas despesas, como forma de ocultar a movimentação de recursos financeiros.
O Ministério Público (MP) do Paraná confirmou que está em andamento um procedimento na Promotoria de Proteção ao Patrimônio Público para investigar as suspeitas de desvios na Urbs. Mas, pelo menos por enquanto, o MP não vai se pronunciar sobre o caso.

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