Curitiba - A confirmação de que o governo federal fará o contingenciamento de R$ 50 bilhões no Orçamento este ano tem deixado universidades federais apreensivas com relação à contratação de professores e a liberação de recursos por meio de emendas. Isso porque, além do corte na verba, o ministro da Fazenda, Guido Mantega anunciou na semana passada a não contratação de novos funcionários públicos concursados e o veto da abertura de novos concursos.
Segundo a assessoria de imprensa da Univerdade Federal do Paraná (UFPR), a instituição tentou se precaver e publicou, entre os dias 11 e 14 deste mês, nomeações de novos professores e profissionais do setor administrativo que passaram no último concurso feito pela instituição. O total de nomeações publicadas no Diário Oficial da União chega a 112 e, conforme o vice-reitor da instituição, Rogério Andrade Mulinari, após a publicação, eles não vêm como não efetivar a contratação.
O governo federal ainda não determinou exatamente onde serão os cortes, o que tem deixado as direções de instituições de ensino ainda mais em dúvida em relação ao que ocorrerá. Mulinari, por exemplo, que esteve esta semana em Brasília, diz não querer entrar muito em detalhes por não ter recebido nenhuma informação oficial do governo.
Mesmo tendo publicado as nomeações de novos funcionários, sem a autorização de contratação encaminhada pelo governo federal, a UFPR terá de abrir edital para contratar professores temporários, o que, de acordo com a assessoria de imprensa da instituição, demanda um certo tempo. A volta às aulas será no dia 28 próximo e ainda não há definição.

Por pouco

As relações públicas Michele Dacas, 28 anos, conseguiu, por pouco, assumir a vaga relacionada a sua formação na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila). Ela foi contradada dias antes do anúncio de cortes de contratações, feito pelo governo federal. Vinda do Rio Grande do Sul, Michele diz se sentir aliviada, ainda mais porque havia deixado outras oportunidades de emprego para trás na certeza de que assumiria seu cargo público no início deste ano.
O reitor da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), campus Curitiba, Carlos Eduardo Cantarelli, também demonstra apreensão diante das incertezas sobre como e quanto o corte de R$ 50 bilhões vai afetar o ensino público superior do estado. Ele comenta que a instituição tem sete cursos novos para começar este ano. ''Ainda bem que nos antecipamos e fizemos as nomeações no ano passado, porque se tivéssemos deixado para agora, nos depararíamos com um caos'', declara. Ele ressalta que a comunidade, assim como os funcionários, estão muito ansiosos para saber o que vai acontecer.
Outro ponto lembrado por Cantarelli, são as emendas parlamentares, que do total de R$ 50 bilhões de cortes, perderam R$ 18 bilhões. ''As emendas ajudam em investimentos que precisamos fazer nas univerdades, não apenas nas federais, como nas estaduais'', acrescenta. Ele diz ainda estar confiante de que o governo federal vá preservar os pactos já firmados com a sociedade e ajudar a manter todos os cursos das instituições de ensino.

mockup