Universidades estaduais querem recursos federais
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segunda-feira, 22 de maio de 2006
Catarina Scortecci<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Os dirigentes das universidades e faculdades estaduais no Paraná pretendem lutar por recursos do governo federal. O assunto foi uma das principais pautas da reunião realizada ontem entre os dirigentes das instituições públicas de ensino superior do Estado e o ministro do Planejamento, Orçamento e Gestão, Paulo Bernardo. A reunião foi organizada pela ex-reitora da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e atual secretária estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Lygia Pupatto. ''Queremos uma aproximação com o governo federal'', disse a secretária.
Por enquanto, a relação entre as instituições e o governo federal parece determinada à reforma universitária, cuja aprovação ainda depende do Congresso Nacional. ''Nós conseguimos incluir dois artigos no projeto da reforma universitária. Um deles é importante porque conseguimos trocar a palavra 'poderá' por 'deverá' no que se refere ao financiamento das instituições estaduais e municipais pelo governo federal'', explicou o reitor da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) e presidente da Associação Paranaense das Instituições de Ensino Superior (Apiesp), Paulo Roberto Godoy.
O reitor da UEL, Eduardo Di Mauro, disse que o Paraná, por possuir apenas duas universidades federais Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) recebe poucos recursos do governo em comparação a outros estados. ''Minas Gerais por exemplo tem 12 universidades federais. O governo federal tem dívidas com o Paraná. Principalmente porque nunca foi criada uma universidade federal no interior do Estado'', afirma ele. Em relação ao total de recursos gastos com as 52 universidades federais existentes no País, o reitor da UEL estima que ''nem 3% do bolo vêm para o Paraná''.
O ministro Paulo Bernardo, no entanto, em conversa com a imprensa antes do início da reunião com os dirigentes, foi enfático ao afirmar que ''está aberto a parcerias'', mas que não tem responsabilidades com as universidades estaduais. ''Nos últimos três anos, nós conseguimos recursos para as universidades estaduais, principalmente na área de infra-estrutura. Mas não temos vínculo nenhum com as instituições estaduais'', afirmou.
''Recebemos alguns recursos do governo federal, mas ele deve ser o principal financiador, porque inclusive a Constituição prevê que ele seja o responsável pelo ensino superior no Brasil'', disse o reitor da UEL. O presidente da Apiesp informou ainda que, com a aprovação da reforma universitária, o governo federal será obrigado a destinar R$ 1.500 por aluno de instituição estadual e municipal.
No Paraná, existem 5 universidades e 12 faculdades mantidas pelo governo do Estado, somando 72.377 alunos. No total, são 253 cursos de graduação, 61 de mestrado, 19 de doutorado e 343 de especialização. Os dados são da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior.


