Universidades controlam gastos, diz Ramiro
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quarta-feira, 17 de outubro de 2001
Maigue Gueths<br> De Curitiba 
O secretário estadual da Ciência e Tecnologia, Ramiro Wahrhaftig, disse ontem que desconhece e que não tem obrigação de controlar a destinação dos recursos das faculdades e universidades estaduais do Paraná. Questionado pelos deputados da Comissão Especial de Investigação (CEI) da Assembléia sobre os gastos das instituições, Ramiro disse que a legislação concede autonomia didática, financeira e administrativa a cada uma delas. As informações foram prestadas ontem de manhã, na primeira sessão da CEI, criada para investigar irregularidades no setor.
Para ter acesso aos dados financeiros das cinco universidades e 11 faculdades do Estado, a CEI solicitará, esta semana, ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), documentos com a prestação de contas das instituições dos últimos anos. O próximo passo da comissão será viajar a Londrina e Cascavel para ouvir os membros dos Conselhos Universitários da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (Unioeste). Nas duas instituições, os reitores foram afastados de seus cargos por denúncias de irregularidades, como desvio de verbas e compras superfaturadas.
''Achei interessante um representante do governo assumir que não tem conhecimento sobre os recursos que envia às universidades. Quer dizer, como gestor, ele manda o dinheiro, mas não sabe o que é feito com estes recursos'', disse o presidente da CEI, deputado Fernando Ribas Carli (PPB), após a sessão. O próprio secretário admitiu que há necessidade de o Executivo ter maior controle sobre estes investimentos. ''Teríamos que ter melhor acesso pelos menos às folhas de pagamento'', disse, ressaltando que o governo desconhece os salários pagos.
De acordo com o secretário, o governo aumentou os recursos enviados às instituições de R$ 77 milhões em 1994 para R$ 300 milhões em 2001. A UEL, por exemplo, tem dotação de R$ 114 milhões para este ano, contra R$ 29,3 milhões em 94. ''A partir daí cada universidade tem sua política interna de pessoal'', disse.
O deputado Ângelo Vanhoni (PT) fez questão de frisar a necessidade de manter a autonomia para as universidades. ''A autonomia é um preceito constitucional e deve ser mantida. Mas isto não dá razão para que as universidades não sejam mais transparentes e detalhem seus gastos'', disse o secretário.


