As irregularidades constatadas pela comissão mostram que a UEM manteria um organograma oficial e outro considerado ''fictício''. Pelo organograma extra-oficial, servidores recebem benefícios a mais no pagamento sem nenhum tipo de critério. De acordo com o relatório, há casos que os pareceres de órgãos fiscalizadores internos da universidade até são contrários aos pagamentos, mas a grande maioria consegue permanecer com os benefícios ''graças'' ao tratamento diferenciado.
Entre as irregularidades encontradas, estão pagamento de gratificações especiais sem critérios; distorções na média de horas-extras; pagamento indevido de adicionais noturno, de periculosidade ou de insalubridade e de gratificações de plantão médico-hospitalar; atribuições de cargos e funções sem autorizações e remanejamentos indevidos.
A comissão interna apresentou, junto com o relatório final, um documento denominado ''Outros Aspectos Relevantes''. Nele, integrantes da comissão relatam uma série de indagações que acabaram sem respostas durante o trabalho de auditoria.
Os questionamentos mostram, entre outras itens, irregularidades em um projeto coordenado pelo ex-servidor Ivair Spacini dos Santos. Mesmo depois de ter sido exonerado, o ex-servidor recebeu R$ 9.618,00, por meio de um depósito feito em sua conta corrente particular. O valor chegou até Santos através de um pagamento ''legal'' feito pela universidade em nome de uma servidora. Segundo o documento, a servidora recebeu o dinheiro e passou para Santos.
De acordo com o relatório, a Pró-Reitoria de Recursos Humanos também teria cometido falhas na apresentação das contas referentes à realização de um concurso público realizado para uma prefeitura da região. Segundo a comissão, não há ''detalhamento da destinação do montante arrecadado''.
O Ministério Público passou a investigar as supostas irregularidades somente em setembro deste ano, quando o Diretório Central dos Estudantes (DCE) fez a denúncia. O DCE descobriu as irregularidades durante a participação em uma reunião do Conselho de Administração (CAD), como representante do corpo discente. O trabalho do MP ainda está na fase inicial e pretende, inclusive, começar um outro procedimento para averiguar as circunstâncias que envolveram a exoneração de Santos. (M.M.)

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