PODER Universal quer ampliar poder político Igreja do bispo Edir Macedo pretende lançar candidato a prefeito no Rio e eleger 300 vereadores em todo o país Arquivo FolhaEleição 2000 Edir Macedo irá lançar 90 candidatos a vereador no estado do RioArquivo FolhaBenedita da Silva, pré-candidata à Prefeitura do Rio: ‘‘Havia preconceito’’ Wilson Tosta Agência Estado De São Paulo A Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd) vai tentar multiplicar por quatro a sua presença nas Câmaras Municipais de todo o País, elegendo 300 dos 500 candidatos a vereador que decidiu lançar em 2000 – atualmente, cerca de 70 parlamentares municipais são vinculados à seita. O ímpeto da Iurd, que inclui o lançamento do deputado Bispo Rodrigues (PL-RJ) para concorrer à Prefeitura do Rio, porém, já preocupa lideranças de outras correntes evangélicas. Algumas acham que a vice-governadora Benedita da Silva, que quer ser prefeita do Rio pelo PT, pode ser prejudicada pela divisão desse eleitorado. ‘‘Se sentir que posso ameaçar a ida da Benedita para o segundo turno, retiro a minha candidatura, porque não vou prejudicar minha irm㒒, diz Rodrigues, que cita números que comprovam o crescimento da força política da corrente religiosa à qual é ligado. A Iurd, segundo ele, tem 18 deputados federais e 24 estaduais, dos quais seis no Estado do Rio. Na capital fluminense, são três vereadores. As bancadas já são equivalentes às de partidos de pequeno a médio porte. A instituição domina, por exemplo, quase 10% dos votos da Assembléia Legislativa do Rio: seis em 70 cadeiras. Rodrigues afirma estar conversando com evangélicos que integram o governo fluminense para evitar dividir os votos da vice-governadora. Ela ainda não é candidata, pois vai disputar com o ex-deputado Vladimir Palmeira uma prévia para escolher o postulante do PT ao cargo, no dia 26. Assessores da petista acompanham com atenção, desde o ano passado, a movimentação do deputado da Iurd. Benedita, procurada pela ‘‘Agência Estado’’, afirmou, porém, não ter a pretensão de ter absolutamente todos os votos evangélicos, pois a questão não é de religião, mas de política. ‘‘Não tenho essa coisa de dizer: ‘Todos os evangélicos vão votar em mim’’’, afirma ela. ‘‘Podem até lançar outra candidatura evangélica.’’ O parlamentar diz saber que representa uma instituição polêmica e espera dividendos políticos disso. ‘‘Não tenho discurso político, pode ser que as pessoas prestem atenção em mim’’, afirma Rodrigues. O deputado diz que vai fazer campanha nos templos da Iurd, conhecidos por promover cultos diários, lotados sobretudo pelos mais pobres, mas que também são frequentados pela classe média. ‘‘São 300 igrejas na capital, se cada uma tiver mil pessoas por semana, são 300 mil pessoas.’’ O deputado nega que a Iurd tenha um projeto político maior, como se constituir como partido político independente. Ele estima que 30% do eleitorado é formado de adeptos das correntes evangélicas e considera que as metas eleitorais da seita são modestas, diante do número de vagas em relação ao tamanho do eleitorado evangélico. ‘‘São mais de 50 mil vereadores que serão eleitos em todo o País este ano’’, afirma. O evangelismo político, que cresceu nos anos 90, ganhou ainda mais força no Rio com a eleição, em 1998, do pedetista Anthony Garotinho para o governo fluminense, com Benedita como vice - ambos são presbiterianos -, refletindo-se no Legislativo. Foram eleitos na ocasião 10 deputados identificados com correntes evangélicas. Além dos seis da Universal, também são evangélicos os deputados estaduais fluminenses Washington Reis (PSDB), Alessandro Calazans (PV), Alberto Brizola (PFL) e Edson Albertassi (PSB). Benedita também mostra preocupação com a mistura de política e religião, mas por outro ângulo. ‘‘Não quero estigma’’, diz ela. A vice-governadora diz que o crescimento da participação política dos evangélicos teve que enfrentar resistências, inicialmente, dentro das próprias correntes evangélicas. ‘‘Éramos aconselhados a não sairmos candidatos, isso era visto quase que como um pecado’’, conta.

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