Fernando Henrique empossa sua nova equipe em 1º de janeiro, mas ainda não definiu o formato do primeiro escalão. A única certeza, adiantou a seus ouvintes mais próximos, é o Ministério da Produção. A principal discussão, neste momento, é a composição da pasta e que órgãos ficarão a ela atrelados.
No desenho original, oferecido pelo presidente ao ex-ministro Mendonça de Barros, o Ministério da Produção seria uma superpasta, agregando os Ministérios da Agricultura, da Indústria, do Comércio e do Turismo, o BNDES e, por enquanto, a Caixa Econômica Federal (CEF).
O presidente também procura um nome que se assemelhe ao perfil do ex-ministro. Um dos nomes cotados, porém não confirmado, é o do ministro-chefe da Casa Civil, Clóvis Carvalho. Na semana passada, também se especulava em torno do empresário Jorge Gerdau Johanpetter.
‘‘A criação do Ministério da Produção nada mais é do que o desdobramento do que o ministro Malan (Pedro, da Fazenda) está fazendo’’, emendou o secretário-geral do PSDB, deputado Arthur Virgílio (AM).
Se o pivô da mais dura briga entre os aliados está mantido, ainda não está acertada a criação do Ministério da Infra-Estrutura, imaginado para cicatrizar feridas do PMDB, e do Ministério do Desenvolvimento Urbano, pensado para aplacar os ciúmes do PFL e cobiçado pelo próprio PSDB. Sob o o peso da forte reação dos aliados, FHC estuda uma reformulação no conceito das duas novas pastas.
Pelo plano B, os cofres da CEF passariam para o Ministério do Desenvolvimento Urbano. Para esse ministério estão cotados conterrâneos e aliados fiéis do presidente do Congresso e mais influente cacique do PFL, Antonio Carlos Magalhães (BA): o ex-governador da Bahia e senador eleito, Paulo Souto (PFL); o ex-secretário de Fazenda daquele Estado, Rodolfo Tourinho e o atual ministro da Previdência, Waldeck Ornelas, que ainda não foi confirmado no cargo pelo presidente. Tourinho também foi cotado para assumir o BNDES.
O Ministério da Infra-Estrutura seria descartado temporariamente e, nas mãos do PMDB seria mantida a cadeira no Ministério dos Transportes, só que com um pouco mais de dinheiro. O projeto que vai criar a Agência Nacional dos Transportes será enviado ao Congresso apenas no ano que vem. A pasta da Infra-Estrutura pode sair em 2000, adiamento já aceito pelo PMDB. O Banco do Brasil, um dos motivos da discórdia entre os partidos, permanecerá ligado ao Ministério da Fazenda. (Colaboraram Cláudia Carneiro e Isabel Braga).

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