O presidente Fernando Henrique Cardoso anuncia, na próxima terça-feira, o Plano Nacional de Segurança Pública com o qual o governo federal pretende ajudar os governadores a frear a escalada da violência nas grandes cidades. O plano vai significar o gasto de R$ 700 milhões até dezembro. O Palácio do Planalto ainda trabalha na escolha de uma proposta de impacto, que conquiste apoio e credibilidade da população.
‘‘Precisamos encontrar uma medida de choque psicosocial para convencer a população de que alguma coisa mudou, como fizemos no plano real’’, disse um ministro que participou de reunião promovida ontem no Palácio da Alvorada, em que o presidente aprovou as medidas sugeridas por seus colaboradores. Em quase duas horas de conversa, o maior impasse foi identificar a fonte dos recursos que formarão o Fundo Nacional de Assistência às Polícias Estaduais.
Outro problema é definir o gestor desse fundo, que determinará as prioridades dos investimentos. É um cargo delicado, já que ele terá de atender à pressão dos governadores por recursos e apoio logístico, num momento em que a situação de insegurança nas grandes cidades e fronteiras beira o caos. ‘‘Essas medidas vão colaborar para a devolução de uma segurança compatível com a tranquilidade, a ordem pública e também com os direitos humanos’’, disse o ministro da Justiça, José Gregori.
O governo vai pressionar governadores a adotarem as medidas. ‘‘Só receberá ajuda o Estado que reciclar suas polícias’’, avisa um dos ministros envolvidos na discussão do plano. ‘‘Reciclar toda a tropa da PM é fundamental’’, comentou Gregori. O plano vai criar uma espécie de provão para as polícias, que a cada dois meses terão seu desempenho reavaliado.

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