Agência Folha
De Brasília
O governo federal manifestou ontem apoio político ao trabalho, mas anunciou poucas medidas concretas imediatas para ajudar a CPI do Narcotráfico. Entre essas medidas efetivas, o governo se comprometeu a realizar concurso público para a contratação de mais mil policiais federais. O atual contingente da PF é de aproximadamente 6,8 mil homens. Sobre a demora das informações de sigilo bancário, o presidente Fernando Henrique afirmou que a responsabilidade sobre o problema é dos bancos, e não do Banco Central. ‘‘É preciso alguma norma que leve o banco a agir mais depressa’’, disse.
No entanto, o governo não tem condições de atender à solicitação da CPI de que o BC tenha um prazo de 72 horas para fornecer as informações. ‘‘Quando há uma quebra de sigilo determinada, é por intermédio do Banco Central que se faz essa demanda. O BC demanda aos bancos, e a demora está nos bancos, em processar as informações. Me comprometi a examinar se existe uma maneira legal de obrigar os bancos a fornecer informações com mais rapidez’’, afirmou FHC.
O presidente afirmou que, se for o caso, o governo pode adotar uma instrução normativa ou aplicar alguma decisão que já existe. No entanto, o governo colocou à disposição da CPI cinco funcionários do BC, que atuarão diretamente na comissão.
O governo se disse disposto a dialogar com a Federação Nacional dos Bancos para acelerar a liberação das informações. Participaram da reunião com FHC, 16 deputados da CPI do Narcotráfico, o ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional, general Alberto Cardoso, o ministro da Justiça, José Carlos Dias, e o secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira.
Apesar das poucas soluções, os deputados da CPI se disseram satisfeitos. ‘‘Se tudo o que for prometido for colocado em prática, essa CPI vai ser um espetáculo’’, disse o presidente da comissão, deputado Magno Malta (PTB-ES).
FHC deveria assinar ontem o decreto de criação do Núcleo de Combate à Impunidade. Os deputados temiam que o núcleo fosse uma investigação paralela, mas FHC deixou claro que, o grupo atuará sob a orientação da comissão.

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