Uma reação compreensível
Londrina tem boas razões para defender o Iapar, Instituto Agronômico do Paraná, como instituição dela inseparável. Um centro atualizadíssimo de ciência e pesquisa perde a sua sediação de raiz em função da lipoaspiração secretarial e a sequência de fusões e transfusões adotadas por Ratinho Junior. A especificidade das razões estratégicas e logísticas, que fundamentam a reação, vai bem além de fatores afetivos e locacionais e elas devem ser ouvidas, da mesma forma que as lideranças londrinenses se obrigam a levar em contas as razões de Estado.
O fato é que processos de fusão mexem com procedimentos, com uma cultura, e por isso, reclamam o amadurecimento do debate. Ademais seria um excesso de direção vertical, uma imposição, ainda que bem formulada, deixar de levar em conta fatores estamentários em que ela implica como observância das melhores práticas da democracia.
Ulisses Campos
Um blog de histórias curitibanas se referiu, semana passada, ao processo militar contra os jornalistas da "Última Hora" - estávamos todos nessa canoa - e punha em destaque o fato de o presidente Castelo Branco ter demitido o juiz auditor Ulisses Campos porque rejeitava, por ineptas, as denúncias do Ministério Público militar. Segui-o Célio Lobão, que manteve a linha de imparcialidade. Sempre se destacou nesses episódios a bravura de advogados e angústias dos réus, mas, houve como se vê, os exemplos na própria magistratura.
Distorções
Nos últimos dois anos 22 estados e o Distrito Federal aumentaram o ICMS para cobertura de aposentadorias. Percebeu-se que gasto com inativos cresceu 8% em 12 meses, ante 0,9% para servidores da ativa. O ICMS, maior tributo estadual, arrecadou a mais perto de 5% no ano passado, superando de longe o crescimento da economia em 1,3%. Essa percepção levou esses governadores à compreensão de que não há como contornar a urgência da reforma previdenciária.
O Paraná, lá atrás com Jaime Lerner, foi uma das primeiras unidades federativas a adotar medidas, com a criação da Paranaprevidência, inclusive nutrindo seu capital com royalties da binacional de Itaipu, graças à aproximação com o seu presidente Euclides Scalco.
Balanço
Ainda é cedo para saber o nível de eficácia das grandes operações do Ministério Público, como aquelas do Gaeco e que acabaram atingindo em cheio o governo de Beto Richa como a "Quadro Negro", que trata de desvios em construções escolares, a "Publicano", que flagrou a hierarquia da receita estadual em práticas corruptas, e a "Patrulha Rural". Condenações exacerbadíssimas na primeira instância chegam a alcançar mais de noventa anos.
Surpreendente a capilaridade de casos como os que detectaram distorções no IPTU, bem como o da ZR3, que apanhou vereadores em manipulação de normas do Plano Diretor.
Ameaça
Com a bilhetagem eletrônica junta-se ao cartel dos ônibus de Curitiba mais uma empresa para reivindicar reajustes, a Metrocard, que pintou no pedaço com a perspectiva de alta se o subsídio ao ICMS do óleo diesel não for mantido. Isso significa mais pressão sobre o governo Ratinho Junior na concessão de subsídios, o que entra em choque direto com a ideia de baixar custos de uma forma geral. O governador, antes de tomar posse, alegou que pretendia manter subsídios, mas com a intenção clara de reduzi-los. A impopularidade de tarifas altas, como a que se dá em Londrina, uma das maiores do país, não é exclusividade dos prefeitos e acaba indiretamente alcançando o governador, como se dava com Beto Richa e acabou gerando a ruptura do sistema metropolitano por Gustavo Fruet.
A existência do Metrocard, pelo avanço tecnológico, retirará paulatinamente o peso do cobrador na planilha tarifária. Como se fará por etapas para abrandar a fúria sindical, a baixa das tarifas ficará sob tal condicionamento notadamente agora em cima do ajuste do contrato coletivo de trabalho em fevereiro.
Ocorre que desde dezembro tal subsídio caiu por decisão de órgão federal e que incontinente a governadora Cida Borghetti caneteou, suprimindo-o. O cálculo é que isso implicará numa alta mínima de R$ 0,30 na passagem. Como se vê, mais um agente da alta a favor, mais um, o Metrocard, pelos empresários e ninguém pelo usuário, já que setor técnico da prefeitura não resiste à sedução e ao charme das permissionárias como se dá em Londrina e repete-se na capital.
Sucata
Uma limpa na sucata (carros destruídos e abandonados ou simplesmente carroçarias) nas ruas pela secretaria de Trânsito chegou a 300 guinchados, mas 1.659 deles foram retirados pelos proprietários para evitar sanções maiores.
Folclore
Altas do transporte coletivo foram a causa singela dos movimentos de massa de 2013, que precederam a queda de Dilma Rousseff. O "passe livre" não teve a força do locaute caminhoneiro pelos estragos econômicos e sociais, mas conteve as tarifas psicologicamente. Agora se dá tudo inversamente ao contrário. E haja abuso. São Paulo dá lição: ao lado da bicicleta, a novidade do patinete. Tudo menos o busão ou abusão.

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