Uma mulher e um petista compõem a mesa executiva
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de fevereiro de 1997
Sucursal de Curitiba 
A eleição de ontem na Assembléia Legislativa vai entrar para a história da política paranaense. Pela primeira vez uma mulher (Irondi Pugliesi) e um petista (Ângelo Vanhoni) fazem parte da direção da Casa. Esta também foi a primeira vez que houve composição entre situação e oposição, com a participação de todos os partidos com representação na Assembléia. Somente o PL ficou de fora do acordo, por ter apenas um deputado.
Essas inovações não resultarão em mudanças profundas na administração da Assembléia ou no comportamento das bancadas. Os cargos de terceiro vice-presidente e quinto secretário, criados para possibilitar essa composição, ainda não têm função definida. Mas seus ocupantes, Luiz Claudio Romanelli (PMDB) e Ângelo Vanhoni (PT), respectivamente, terão direito a preencher mais dez cargos em comissão na estrutura da Assembléia e ter mais um carro à disposição - além do limite de dois carros para cada gabinete parlamentar.
Antes da votação de ontem, o PT disse que só aceitaria a proposta de composição se houvesse compromisso de democratização das informações, com a informatização completa da Assembléia. A reivindicação ficou no papel e o presidente reeleito não assumiu qualquer compromisso nesse sentido.
O PMDB, partido de oposição, desafiou o governo com a indicação de Romanelli, mas continuará dividido nas votações dos projetos do governo. Dos nove peemedebistas, três são governistas de carteirinha (Sâmis da Silva, Durval Amaral e Cleiton Crisóstomo) e dois são oposição sempre (Romanelli e Caíto Quintana). Os outros quatro membros da bancada votam às vezes com o governo, às vezes com a oposição, dependendo dos interesses pessoais e regionais.
A situação é parecida no PSDB e também não deverá ser modificada. Existe um grupo de tucanos, do qual Antonio Anibelli faz parte, que prefere a oposição por não ter qualquer prestígio junto ao governo do Estado. Outra ala, liderada por Beto Richa, tem tendência mais governista.
A participação da oposição na mesa executiva é indiferente para o dia-a-dia da Assembléia. No regime democrático vale a maioria e a maioria continua aliada ao governo. Não há o que temer, sentencia o presidente Aníbal Khury. (S.W.)


