Brasília - Estar com o caixa cheio de dinheiro nem sempre é sinônimo de boa gestão ou qualidade de vida. Apenas um entre os 10 municípios com melhor situação financeira também está entre os 100 melhores Índices de Desenvolvimento Humano (IDH) do País: Poços de Caldas, em Minas Gerais, que obteve a 63 posição no último ranking (de um total de 5.507) que mescla indicadores de renda, saúde e educação. Os demais se situam na posição 111 até 1.571, como é o caso de Rio das Ostras (RJ), o município mais endinheirado de todos.
De acordo com os dados reunidos pelo Tesouro Nacional, a prefeitura fluminense tinha R$ 203 milhões livres de dívidas em dezembro de 2002, uma média de R$ 5 mil por habitante. Em segundo e terceiro lugares no ranking aparecem as cidades paulistas de São Sebastião e Zacarias, com R$ 1.511 e R$ 1.355 per capita, respectivamente.
Em média, as 10 cidades melhor classificadas no quesito financeiro aplicam 18,6% de suas receitas em investimentos, principalmente infra-estrutura, mas na área social algumas deixam a desejar. Rio das Ostras, por exemplo, gasta 13,5% em saúde, menos do que a endividada capital paulista (18%). Como resultado, o IDH relativo à longevidade da população não passa da 2.913posição no ranking nacional.
''A Lei de Responsabilidade Fiscal foi benéfica, mas muito prefeito se esqueceu da responsabilidade social, e o cidadão saiu perdendo com a desqualificação do serviço público'', avalia o presidente da Confederação Nacional dos Municípios, Paulo Ziulkoski (PMDB), prefeito de Mariana Pimentel (RS), uma das 10 cidades com a melhor situação fiscal do País.
Emancipada em 1992, a pequena cidade gaúcha convive hoje com bons indicadores fiscais e sociais ao mesmo tempo, mostrando que é possível conciliar objetivos aparentemente opostos. No ano passado, Ziulkoski conseguiu acumular no caixa da prefeitura uma cifra superior à sua arrecadação anual e, ainda assim, foi um dos 123 prefeitos do País a receber o atestado de evasão escolar nula do Ministério da Educação.
''Estamos melhorando os indicadores aos poucos, sem perder de vista o princípio da responsabilidade fiscal'', afirma o presidente da CNM. Apesar de abrigar as prefeituras com os piores indicadores fiscais, o Estado de São Paulo também tem 30 prefeituras entre as 100 melhor situadas financeiramente no País. Só perde para o Rio Grande do Sul, com 44%.

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