Uma batalha doméstica
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terça-feira, 18 de setembro de 2018
Luiz Geraldo Mazza 
Uma batalha doméstica
A justiça está sendo mais compreensiva por Beto Richa em relação ao Ministério Público, tanto que ganhou o direito de continuar na campanha, vetado por Cida, e a garantia de Gilmar Mendes de não ser preso no caso da Patrulha Rural, afastada a hipótese de outras acusações. Deve-se seguir a tudo isso uma lista de exonerações da turminha richista em postos na Copel e na Sanepar, o que acentua o racha e revela que a governadora não se conforma com a contaminação de sua campanha em reta final. Para mostrar a incompatibilidade não acha suficiente a revelação de que repudia seu antecessor pelas denúncias que indicam um sistema com funda capilaridade de desvios e anomalias.
Como o demonstrou nos casos de Deonilson Roldo e agora o mais recente do contador Dirceu Pupo Ferreira (acusado de forçar um corretor de imóveis das operações da família Richa a mudar seu testemunho), também na Copel, não pretende concessões ou sequer o benefício da dúvida em favor de acusados, postura que timbrou ao criar a Divisão de Combate à Corrupção e que agirá em todos os casos.
Na história dos vices - tanto a nacional como a local - afloram os conflitos: Café Filho substituiu Getúlio Vargas no suicídio e foi plataforma de sua equipe para tentar impedir a posse de Juscelino Kubitschek, garantida pelos generais Odilio Denis e Teixeira Lott; Mario Pereira se aplicou na defesa do mandato de Requião, mas acabou rompido; Itamar Franco foi o oposto de Collor e quem abriu caminho para Fernando Henrique e o Plano Real; Michel Temer foi vice de Dilma e acabou beneficiado pela manobra de Eduardo Cunha que a derrubou. Aliás, no mais ideológico dos pleitos, o de 1960, eleição para vice era direta e Jango levou a melhor sobre Milton Campos e acabou assumindo com a renúncia do titular Jânio Quadros quando elegera o vice do general Lott. Ari Queiroz, que era vice de Alvaro Dias, manobrou por José Richa e depois por Zé Carlos Martinez contra Requião e dançou no maior estelionato eleitoral da história - aquele do falso pistoleiro Ferreirinha.
Um dos mais discretos e sóbrios vices foi o londrinense José Hosken de Novaes e cuja história vai ser contada em breve pelo jornalista e escritor José Pedriali. Cansei de vê-lo a dispensar seu motorista e carregando às costas as compras do supermercado.
Grave ameaça
Há sinais epidemiológicos, em função da transição à primavera, de que teremos novamente um surto de dengue, tanto que já se registraram dez casos no território paranaense, seis autóctones e quatro importados. Estamos nos saindo mal nas campanhas contra a gripe e nas vacinações de um modo geral e urge mobilizar tudo outra vez para fazermos o máximo pela redução da incidência.
Ogier fora
A despeito de sua resistência contra o comando da campanha de Bolsonaro, que queria dar apoio a Ratinho Júnior, Ogier Buchi, que se lançou contra a vontade do presidenciável, perdeu a sua postulação na justiça. Advogado, avalia a hipótese de recorrer. Ratinho Junior festejou porque ao colocar a imagem do capitão da reserva em sua campanha acredita disparar, apesar do empenho de Cida Borghetti em vinculá-lo ao caso da patrulha rural na figura de Norberto Ortigara, ex-secretário de Agricultura e um dos seus principais coordenadores de campanha eleitoral. Até documentação foi levantada sobre a hipótese daquela participação.
OAB e Fiep
Sabatinas com os candidatos ao governo estão sendo realizadas na OAB regional e também a de segunda-feira (17) na Federação das Indústrias. Nos dois casos, públicos importantes por serem constituídos dos que fazem opinião.
Gaeco fiscal
Ora é o Gaeco político, ora o fiscal. Segunda-feira foi deflagrada ação em várias localidades contra empresas de fachada que burlavam fortemente a fiscalização tributária: prisões e mandados de busca e apreensão. Quanto à ideia de recorrer da decisão de Gilmar Mendes na formação de quadrilha, atribuída ao comando do ex-governador, nada está ainda decidido, mas a causa é examinada também pela própria Procuradoria Geral do Estado. Essa bate na trave: decisão ainda que monocrática é do conjunto da Corte.
Folclore
Uma da manias de políticos é caricaturar adversários, acentuando-lhes possíveis dimensões caipiras. Fazia-se muito com Manoel Ribas e Benedito Valadares. No Paraná, apesar das artes de João Mansur como conciliador e às vezes como atirador (matou dois invasores do seu apartamento a tiros), relatavam uma cena em que ele estava distraído à frente da tevê e o saudaram :
-Firme, João?
-Não. Futibor.


