Um raro caso de prisão em Santa Isabel do Ivaí Arquivo FolhaRosimar Casagrande: ‘Ele fez o que não era certo... Nem ficamos com um tostão’ Patrícia Zanin De Londrina ‘‘Gostaria muito que o País tomasse jeito, que tivesse responsabilidade. E se a prisão do meu marido servir para isso, digo glória a Deus.’’ O desabafo é de Rosimar de Oliveira Casagrande, mulher do ex-prefeito de Santa Isabel do Ivaí (92 km a oeste de Paranavaí) Luiz Eduardo Casagrande. Ele está preso há 11 meses, depois de ter sido condenado a 11 anos e 8 meses de prisão pelo Tribunal de Justiça (TJ), por improbidade administrativa em 14 processos. É um dos raros casos no Brasil de político que está preso por cometer irregularidades. Rosimar garante que o marido não levou nada. ‘‘Ele fez o que não era certo, mas não foi premeditado e nem ficamos com um tostão’’, afirma. Entre as irregularidades praticadas pelo ex-prefeito, que administrou Santa Isabel de 1989 a 1992, estão a compra ilegal de grandes quantidades de produtos alimentícios destinados ao gabinete dele e ao setor rodoviário. Casagrande cumpriu oito meses de prisão em Santa Isabel. Foi transferido para a Colônia Penal Agrícola, em Piraquara (Região Metropolitana de Curitiba), no dia 6 de dezembro do ano passado. ‘‘Não esqueço a data porque era meu aniversário’’, diz Rosimar, que tem visitado o marido na prisão a cada 15 dias. Neste final de semana ela vai estar junto dele. ‘‘Com a força de Deus temos conseguido suportar, mas a gente sente um abandonado completo’’, desabafa. Ela revela que ‘‘ninguém se interessa’’ pela causa de Casagrande. ‘‘Parece que político só vale quando tem mandato’’, diz, indignada. ‘‘De todas as pessoas que ajudamos politicamente, ninguém nos apoiou. Recentemente, estivemos em Curitiba e o deputado Ricardo Chab (PTB), que não tínhamos vínculo, nos recebeu e muito bem’’, contou. A família do ex-prefeito tenta no Superior Tribunal de Justiça, em Brasília, um habeas corpus para livrá-lo da cadeia. Também pedirá revisão da pena. ‘‘Queremos que ele seja pelo menos ouvido, já que meu marido praticamente não teve direito de se defender’’, afirma.