'Um paraíso de políticos sem voto', diz analista
Curitiba - "Normalmente o quatro técnico dos Tribunais de Contas é muito capaz. Os concursos públicos para entrar nos TCs são dificílimos e não é qualquer pessoa que tem condições para ser aprovada. O problema é que há uma defasagem enorme entre aquilo que os auditores sugerem e aquilo que é visto nas decisões finais, quando passa a contar o componente político", afirma Gil Castello Branco, secretário-geral e um dos idealizadores da entidade Contas Abertas, com sede em Brasília, que fiscaliza os gastos públicos.
Ele cita como exemplo a atuação do Tribunal de Contas da União sobre as obras relacionadas com a Copa de 2014, em que ações preventivas do órgão resultaram numa economia estimada em R$ 600 milhões. "Os Tribunais de Contas são importantes porque fazem o controle externo. O controle interno é insuficiente, pois quando os próprios órgãos do governo fiscalizam a si próprios, eles estão mais sujeitos à parcialidade", explica Castello Branco.
"Os TCs não podem ser um 'paraíso dos políticos sem voto', não podem ser os 'tribunais do faz de conta', pois têm que prestar sua contribuição no combate à corrupção. A população conhece pouco disso e poderia defender também o fim de indicações políticas para o Supremo Tribunal Federal (STF) e para o Superior Tribunal de Justiça (STJ), além dos TCs. As indicações políticas contaminam o trabalho que deveria ser feito nessas Cortes", argumenta. Para o idealizador do Contas Abertas, "a sociedade ainda não se atentou para o mal que essas indicações tem feito". (J.L.J.)





