Um dia depois de ironizar, FHC evita rebater ACM
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de outubro de 2000
Agência Estado Da Holanda 
O presidente Fernando Henrique Cardoso recusou-se ontem a antecipar quem terá o seu apoio na briga pelo comando das Casas do Congresso. Isso são assuntos menores, depois eu comento, disse, bem-humorado, em resposta a perguntas sobre as novas críticas feitas a ele pelo presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA).
Eu não sou senador, esquivou-se, referindo-se à sucessão no Senado e na Câmara, foco de disputa entre ACM e o senador Jáder Barbalho (PA), presidente nacional do PMDB.
Adversários políticos, ACM e Jáder vêm travando uma queda-de-braço para influenciar a escolha das presidências das Casas do Legislativo. Jáder não abre mão do comando do Senado e ACM quer fazer o ex-presidente José Sarney (PMDB-AM) seu sucessor. A posição do PSDB e, especialmente, o apoio do presidente serão decisivos na arbitragem da nova disputa entre os dois caciques. Após os ataques do senador baiano, Fernando Henrique poderá optar pelo presidente do PMDB. Com o final das eleições municipais, o Congresso retomará seus trabalhos e as articulações em torno do seu comando dominarão a agenda política.
Ontem, aparentando descontração, Fernando Henrique desembarcou na cidade de Enschede, na Holanda, e dirigiu-se, de ônibus, para Otterlo especialmente para visitar o museu Kröller-Muller, onde estão expostas 92 obras de Vincent Van Gogh, o segundo maior acervo deste artista nos Países Baixos. O passeio durou uma hora e meia e ele se disse impressionado pelas obras do pintor. Sempre quis vir aqui pois gosto muito do Van Gogh, comentou. Não perderia essa oportunidade. Acompanhado da primeira-dama Ruth Cardoso e comitiva, ele foi ciceroneado pelo diretor do museu, Jaap Hemmer.
Embora tenha evitado comentar diretamente assuntos da política nacional, o presidente ironizou os ataques de seus aliados e até mesmo a sua experiência na presidência. Foi interessante ver o conjunto das obras, como tudo na vida, é preciso ver o caminho, o processo, disse, sobre as dezenas de telas de Van Gogh. Não se pode ver apenas por uma etapa, tudo tem uma evolução, emendou. É isso o que dizem os tucanos, provocou um jornalista. E todo mundo que pensa, respondeu Fernando Henrique.


