Um ano para comemorar ou esquecer?
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 30 de abril de 2010
Emerson Dias<br>Especial para a FOLHA 
Os primeiros 12 meses de Homero Barbosa Neto (PDT) frente à prefeitura de Londrina -completados hoje - foram marcados por desentendimentos políticos, trocas corriqueiras de secretários, protestos e paralisações de serviços como a saúde pública. Para o prefeito, as turbulências foram decorrentes de um processo de reestruturação rápida da cidade, quando tentou reformular uma máquina estatal inchada ao mesmo tempo em que buscou acelerar ações cobradas há anos pela comunidade.
Foi o que aconteceu com a reforma do Calçadão e com a revisão da planilha de pagamento para médicos plantonistas, por exemplo. O primeiro caso virou polêmica entre os querem preservar o patrimônio e aqueles que anseiam por uma reforma no cartão postal da cidade. Já a segunda iniciativa resultou em uma das cenas mais inusitadas da história local: tapumes barrando a entrada de prontos-socorros de hospitais numa sexta-feira 13 (de novembro do ano passado), impedindo o atendimento médico ao público.
''Eu assumi a prefeitura no ano passado com paralisação de caçambeiros e protesto de invasores de áreas públicas. Não tenho receio de manifestações porque estou aqui para administrar. Não dá pra governar pra todos, tenho que pensar na maioria'', disse Barbosa, ressaltando que buscou uma alternativa inédita na prefeitura local para resolver o problema: usar dinheiro de cargos comissionados (CCs) para contratar 18 médicos em três concursos previstos para este ano. ''São R$ 1,4 milhão que transformaremos em 2 mil horas mensais para médicos plantonistas. Quantos prefeitos cortaram cargos comissionados para recolocar médicos em 13 unidades de saúde?''
A diminuição de 180 para 50 cargos comissionados, a busca de convênios e recursos em parcerias público-privadas que podem viabilizar anualmente R$ 2 milhões aos cofres públicos, a confirmação de R$ 35 milhões em recursos vindos do governo do Estado para reformar ruas e avenidas da cidade e o repasse de verbas federais que, juntas, chegam a R$ 500 milhões são exemplos da vontade política do prefeito que chega ao gabinete, todos os dias, às seis da manhã. As ações de Barbosa resultaram no prêmio Sebrae de Prefeito Empreendedor, divulgado esta semana em Curitiba, devido às iniciativas de desenvolvimento local a partir de planejamentos eficientes na gestão pública.
O fato, no entanto, é que a vontade política esbarrou no relacionamento conflituoso junto à Câmara de Vereadores e até mesmo à própria equipe de governo. Em 365 dias de mandato, foram 17 alterações nas secretarias e autarquias municipais. Já no Legislativo, a crise junto ao vereador do próprio partido resultou em denúncia ao Ministério Público e prisão do ex-líder do prefeito na Câmara Joel Garcia (PDT).
Farpas também foram e ainda são trocadas com o presidente do Legislativo municipal, José Roque Neto (PTB), aquele que foi prefeito interino de janeiro a maio do ano passado. ''Ele está buscando soluções para a limpeza pública, sa© úde, educação, malha asfáltica e equilíbrio da máquina pública. Por outro lado discordo da falta de sensibilidade ao diálogo político, que ficou claro em questões como Planta de Valores (do IPTU), remoção de permissionários dos mercados municipais, quiosques e ambulantes, iniciando reforma no calçadão sem amplo debate'', argumentou Roque Neto, lembrando que ainda há tempo para melhorar a relação Executivo-Legislativo. ''Ele tem quase três anos pela frente, para corrigir rumos e marcar o governo.''
Gerenciar uma cidade-polo de 510 mil habitantes não é fácil quando se tem fiscalização eficiente das promotorias, uma Câmara multifacetada e uma sociedade que cobra o tempo todo. ''Ter vontade política é fundamental em uma cidade do porte de londrina, que tem como característica principal ser exigente. Dou nota sete para os resultados alcançados e oito para a vontade e a iniciativa dele de buscar a aglutinação de ideias'', disse Marcelo Cassa, que preside a Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil).
Entre os projetos para o biênio 2010/2011 (já que o mandato não fecha em dezembro) estão o lançamento do ISS Tecnológico, o Imposto sobre Serviço que deve se beneficiar deste segmento que vem crescendo com a ajuda de programas de capacitação de jovens na área de eletrônica, eletrotécnica e informática. Para Barbosa, construir o Centro de Educação Profissionalizante (área já está definida no Jardim Catuaí), por exemplo, é uma maneira de combater de uma só vez o desequilíbrio nas contas públicas e o desemprego, além de garantir educação, renda e segurança para 3,9 mil jovens que ocuparão as vagas.
No balanço que fez com todos os secretários, durante um encontro de seis horas ao estilo ''escolinha de governo do Requião'', o prefeito disse que a violência é o item que mais desagradou até agora e que vai cobrar mais recursos de Curitiba. Pensando sempre em otimizar o que tem nas mãos, Barbosa pretende fazer com que os 250 guardas municipais (em fase de treinamento) atuem na segurança pública e na fiscalização de ambulantes, outro tema espinhoso que enfrenta. ''Junto com novos fiscais da CMTU que estamos providenciando, a guarda municipal vai fiscalizar as ruas seguindo o Código de Postura do Município. Isto serve para ambulantes, taxistas, feirantes, qualquer um. Espaço público e a cessão de serviços têm que ser regulamentados.''
Barbosa deve seguir no ritmo que impôs para a equipe e para si mesmo, já que é único prefeito do país que, mesmo ficando em terceiro lugar na eleição, foi para um ''terceiro'' turno e agora tem apenas dois anos e oito meses para governar.


