Um ano após morte de Mathias, criminosos continuam em liberdade
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quinta-feira, 16 de abril de 1998
Maurício Borges 
Há exatamente um ano, no dia 17 de abril de 1997, às 13h40, na avenida Maracanã, em frente à Ciavena, em Arapongas, era assassinado o então prefeito do recém-criado município de Arapuã - 160 km ao sul de Apucarana - Hélio Mathias. Ele saía da concessionária, acompanhado de um vereador, quando foi abordado por dois elementos desconhecidos, e recebeu dois tiros à queima-roupa, caindo morto na calçada.
O crime teve ampla repercussão na época, e mereceu atenção especial da Secretaria de Segurança Pública. O governador Jaime Lerner e o ex-secretário Cândido Manoel Martins de Oliveira chegaram a comprometer-se a solucionar rapidamente o crime. Passado um ano, o inquérito já trocou de delegado três vezes e o assassinato permanece insolúvel.
A versão oficial, dada quatro meses após o crime, pelo delegado de Arapongas, José Carlos Bassalobre, que presidia o inquérito, indicava que Mathias fora morto por pistoleiros de aluguel que vieram da Bahia para executá-lo. A polícia paranaense chegou a rastrear a trajetória dos dois pistoleiros pelo Paraná, São Paulo, Minas e Bahia, e a divulgar o seu retrato falado, mas não conseguiu prendê-los. Também não foi identificado o mandante do crime.
MissaA passagem do 1º ano da morte do ex-prefeito será marcada com uma missa encomendada pela família Mathias. A celebração será dirigida pelo padre Eugênio Cereja, o mesmo que denunciou ter sofrido dois atentados contra sua vida, depois que cobrou justiça pela morte de Hélio Mathias. O caso também resultou em inquérito policial.
Ontem, a viúva Helena Mathias declarou à Folha que ainda tem esperanças de que a morte de seu marido seja resolvida pela polícia, e que os culpados sejam punidos na justiça. Meu esposo não tinha atritos com ninguém, ele foi morto por encomenda, e o interesse de quem fez isso está muito claro para todos, assinalou Helena Mathias, deixando evidenciada a opinião da família, de que o crime teve conotação política.
Hélio Mathias, de 44 anos, era agricultor e exerceu dois mandatos de vereador por Ivaiporã. Ligado politicamente ao deputado estadual Orlando Pessuti (PMDB), ele se transformou num dos principais líderes na luta pela emancipação do ex-distrito. Eleito o primeiro prefeito de Arapuã, permaneceu no cargo por apenas 107 dias.


