A exemplo do que já ocorreu em 2006, a Prefeitura de Londrina deve encerrar o mês de outubro com a ameaça de não pagar, no mês que vem, a primeira parcela do 13º salário do funcionalismo público municipal. Se por um lado mais uma vez são alegadas dificuldades de arrecadação, por outro, novamente a administração está com índice de gastos com pessoal acima do que determina a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF): o teto é 54%; o limite prudencial, 51,3%. Em Londrina, segundo o secretário municipal de Fazenda, Wilson Sella, vigora um percentual de mais de 56%.
Há um ano, e em plena greve de 106 dias da categoria, Sella já havia afirmado que uma série de medidas de caráter administrativo seriam tomadas para reduzir o índice, possibilitar o pagamento do 13º - o que só ocorreu em dezembro - e, se fosse possível, analisar alguma possibilidade de reposição das perdas salariais. Segundo o sindicato que representa a categoria, o Sindserv, já são mais de 30% não repostos nos sete anos da atual administração.
Em 2006, o chefe da pasta anunciara que cortes de horas extras, de contratos com fornecederes e até de comissionados, bem como o incremento da arrecadação, seriam as soluções para aumento da receita e corte de gastos. Ontem, Sella afirmou que na folha mensal de R$ 15,5 milhões, paga aos servidores, ''só cerca de 1% representa impacto de comissionados''. A declaração respondeu a pergunta sobre a revisão e/ou corte desses postos cogitada ano passado. Contudo, o secretário garantiu ter havido ''corte drástico'' de horas extras, ''freio'' nas contratações de terceirizados e extinção de cargos vagos - muitos, em função das terceirizações.
A respeito de 13º salário, Sella declarou que seriam necessários ser arrecadados, ao pagamento da primeira parcela, cerca de R$ 6 milhões a mais até mês que vem. De acordo com ele, o número reflete ''uma superestimação do ISS (Imposto Sobre Serviço) de 2007'', estimado em R$ 55 milhões - mas arrecadado, até agosto, só 50% -, e R$ 5 milhões perdidos com o pagamento à vista - portanto, com desconto de 10% - do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) quitado no primeiro semestre. A maior parte dos contribuintes, por sinal, optou por essa forma de quitação: 60% dos casos.
''O jeito vai ser arrecadar mais da dívida ativa - estamos com 30 mil correspondências de cobrança de impostos devidos de 2004, 2005 e 2006, e levantando quem ainda não quitou 2007'', comentou Sella.
O presidente do Sindserv, Marcelo Urbaneja, avisou que a ameaça de não pagamento da primeira parcela do benefício será um dos itens da pauta de uma assembléia geral marcada para a primeira quinzena de novembro. ''É sempre a mesma ladainha: ou o secretário diz que a situação está feia mas sai como salvador da pátria, no fim do ano, ou é um caso de incompetência, já que investem tanto em publicidade sem guardar, antes, o dinheiro do 13º'', reclamou.

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