Últimos episódios da crise deixam PT em pedaços
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sábado, 13 de agosto de 2005
Gabriel Manzano Filho<br> Agência Estado 
Brasília - No começo, era uma surpreendente imagem de um funcionário dos Correios embolsando R$ 3 mil de propina. Exatos três meses depois, completados neste domingo, a chamada ''crise política brasileira'' já destruiu um partido político, devastou biografias que pareciam exemplares, encurralou o governo, cortou carreiras nas estatais e em importantes cargos do Executivo, paralisou o Congresso que só se moveu para presentear o presidente da República com um salário mínimo inviável e, nos últimos dias, subiu alguns metros da rampa do Planalto.
Passo a passo, ela se alimentou de denúncias que pareciam não ter mais fim. Primeiro as de Roberto Jefferson contra José Dirceu e o PT. Depois as de Marcos Valério contra Jefferson. Em seguida, as do publicitário Duda Mendonça, que deveriam ser contra Valério mas, na verdade, deixaram o PT em pedaços. E na sexta-feira, por fim, a tardia confissão do ex-deputado Valdemar Costa Neto, do PL, que tentou arrumar sua biografia complicando as de Dirceu e do presidente Lula. Nessa escalada de confissões rolaram cerca de 40 cabeças nas estatais e em cargos partidários e uma penca de envolvidos perdeu-se em desculpas que duraram horas entre eles os deputados José Genoino, João Paulo Cunha, Silvio Pereira, o próprio Marcos Valério.
A última semana, 13 da crise, foi a pior para o PT sua imagem mais forte foi a de deputados petistas chorando no plenário da Câmara, diante do telão onde Duda Mendonça contava o cambalacho entre ele, o PT, Valério e uma conta secreta nas ilhas Cayman. Nessa semana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva promoveu também uma cena rara na política do País: um presidente pedir (mais ou menos) desculpas ao povo.


