Último foragido deve se entregar na segunda-feira
Curitiba - Adarico Negromonte Filho, apontado pelos procuradores do Ministério Público Federal (MPF) como subordinado de Alberto Youssef e irmão do ex-ministro das Cidades, Mário Negromonte (PP-BA), único investigado da sétima fase da operação Lava Jato que ainda não se entregou, vai se apresentar à Polícia Federal (PF), em Curitiba, na segunda-feira ou, no mais tardar, na terça-feira. A informação foi confirmada ontem à tarde por sua advogada Joyce Roysen.
Mesmo estando foragido, a advogada impetrou um pedido de revogação da prisão temporária na Justiça Federal do Paraná (JFPR). Na petição apresentada na última terça-feira, a defesa de Adarico alegou que seu cliente ``não foi procurado em sua residência na cidade de Registro (SP), onde reside por mais de 30 anos e, por este motivo, não pode ser considerado foragido da Justiça´´.
Segundo Joyce, como o juiz federal Sérgio Moro solicitou que o MPF se manifestasse sobre a revogação antes de analisar o pedido, seu cliente está aguardando este posicionamento. ``Ele vai se apresentar até a próxima terça-feira, independentemente da decisão da Justiça. Meu cliente só decidiu aguardar a análise do pedido. Isso é importante´´, ressaltou. A advogada de Adarico também fez questão de frisar que seu cliente não trabalha ou trabalhou nas empresas investigadas pela Lava Jato, e que não tem nenhuma relação com os investigados.
O juiz Sérgio Moro, deferiu em despacho na última quarta-feira, o compartilhamento das provas da sétima fase da Lava Jato com a Receita Federal, o Tribunal de Contas da União (TCU), a Controladoria-Geral da União (CGU) e com o Conselho Administrativo de Administração Econômico (Cade), para que os órgãos especializados auxiliem na instrução do processo criminal e que as investigações administrativas possam atender ao interesse público. ``A cooperação entre as diversas instituições públicas, com o compartilhamento das informações, é um objetivo político válido e que se impõe caso se pretenda alguma eficácia na investigação e persecução de crimes complexos, como os crimes de colarinho branco ou os crimes praticados por organizações criminosas´´, ressaltou o magistrado.
Os órgãos federais haviam solicitado acesso aos documentos após os delatores Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, o doleiro Alberto Youssef, além de dois executivos da empresa Toyo-Setal, declararem existir um "cartel" de grandes construtoras do País que loteavam grandes obras "na Petrobras e em outras áreas do governo". "O conhecimento especializado de seus corpos técnicos (Receita, CGU e Cade) certamente contribuirá com as investigações", completou Moro, em seu despacho. (R.C.J.)





