Último debate revela insegurança dos principais concorrentes ao governo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 03 de outubro de 2018
Guilherme Marconi/Reportagem Local 
Curitiba - Ao contrário do que se esperava na reta final do primeiro turno, o último debate na televisão demonstrou insegurança dos candidatos líder e vice-líder nas pesquisas, Ratinho Junior (PSD) e Cida Borghetti (PP), de acordo com analistas políticos ouvidos pela FOLHA. Além dos candidatos governistas, o confronto promovido pela RPC, afiliada da Rede Globo, na noite de terça-feira (2) contou com a presença dos candidatos João Arruda (MDB), Dr. Rosinha (PT), Ogier Bucchi (PSL) e Professor Piva (PSOL).

Para o professor de ética e filosofia da UEL (Universidade Estadual de Londrina) Elve Cenci, Ratinho estava tenso e Cida insegura durante todo o debate de mais de duas horas. "Esperava um debate mais aprofundado. Ratinho, por ser um comunicador experiente, esteve tenso, já Cida, insegura em algumas respostas. Eles não souberam utilizar bem o tempo, para demonstrar com clareza suas propostas".
Foram quatro blocos de perguntas entre os candidatos, dois com tema livre e dois com assuntos definidos por sorteio. Dentre eles, universidades públicas, previdência, segurança, ajuste fiscal, desenvolvimento do Estado, educação, infraestrutura de transporte e pedágio. O tema corrupção e o ex-governador Beto Richa (PSDB) também eram lembrados pelos adversários.
Para o cientista político e professor da PUC-PR em Curitiba Eduardo Soncini Miranda, Cida e Ratinho também evitaram um confronto maior nos primeiros blocos até para impedir um deslize nesta reta final. "São frutos do mesmo ninho". Ele também criticou a forma genérica com que os temas foram tratados por ambos. "Apesar da campanha curta, ficou faltando dialogar mais sobre programas importantes, os temas eram tratados de maneira genérica, vasta, o que acaba dispersando o eleitor."
LEIA TAMBÉM
- Uso de carro de luxo vira alvo de polêmica
- Toffoli critica propostas de Bolsonaro e Haddad para nova Constituição
CORRUPÇÃO
O tema corrupção apareceu em todos os blocos, mas também de maneira genérica. Franco atirador, coube ao candidato do PSOL provocar os momentos de "saia justa" para os líderes nas pesquisas, sempre reforçando que Ratinho e Cida estavam aliados ao ex-governador tucano. Piva também relembrou a batalha do 29 de abril de 2015 no Centro Cívico e cutucar os governistas. "Ele (Piva) tem essa liberdade, já para os demais candidatos dos outros partidos ficou mais difícil aprofundar este tema", lembra Soncini. Questionado sobre corrupção, Ratinho Jr. repetiu o argumento de que no período em que esteve à frente da Secretaria de Desenvolvimento Urbano não existiram processos ou irregularidades investigadas pelo Ministério Público. Já Cida Borghetti também tentou se desvincular da imagem do ex-governador, sempre argumentando que implantou a Divisão de Combate à Corrupção.
Terceiro colocado nas pesquisas, João Arruda usou como estratégia frisar a marca de oposição ao governo Richa. O emedebista também não escapou das cutucadas de Piva, que relembrou os votos dele em favor da Reforma Trabalhista e manutenção do presidente Michel Temer. "É uma contradição que ele não tem como sanar, mas no Congresso teve posicionamentos diferentes do seu tio Requião (senador Roberto Requião)", diz Cenci.
Para os analistas, o mais experiente dos candidatos, Dr. Rosinha, aprofundou alguns temas com números do Estado, mas também tem "limites pela rejeição do partido no Paraná", avalia Soncini. O petista saiu do debate decepcionado, porque nos últimos blocos foi pouco acionado pelos oponentes. "Todas as propostas de investimentos que os adversários trouxeram têm que ter o pé no chão de onde tirar, e isso não foi apresentado", disse Rosinha à FOLHA.


