Curitiba - O último debate antes das eleições de domingo serviu para os candidatos trocarem acusações. Para o eleitor que ligou a televisão esperando esclarecer dúvidas sobre propostas e opiniões dos concorrentes, foi uma frustração. O que se viu na noite de quinta-feira, no estúdio da TV Paranaense, foi uma intensa troca de provocações, mais escancarada que no debate do dia 9, na Bandeirantes.
A mediadora, a jornalista Sandra Annenberg, até fez um apelo no início do programa para que não fossem feitas acusações ''grosseiras''. Os candidatos, porém, não perderam a chance de se atacar.
O primeiro e o terceiro bloco tiveram perguntas livres. O segundo e o quarto, por sorteio. Já o quinto e último serviu para as considerações finais. No início, até parecia que o debate se concentraria nas propostas, como defendiam os próprios candidatos.
O candidato à reeleição Roberto Requião (PMDB) perguntou ao senador Osmar Dias (PDT), seu ex-secretário da Agricultura, sobre a proposta do pedetista de acabar com a tarifa mínima de água cobrada pela Sanepar. Requião queria saber se a equipe de Osmar havia feito estudo financeiro do impacto dessa medida. ''Claro que estudamos. Não somos como o outro candidato que não cumpre promessas. A Sanepar poderá absorver (o impacto financeiro)'', respondeu Osmar. Requião disse a ''falta de experiência do senador'' estava clara e que essa era uma proposta que beneficiaria os ricos que têm casa da praia e prejudicaria os pobres. ''Ele fica com inveja porque não pensou nisso antes'', rebateu Osmar.
A partir daí, as provocações foram no mesmo tom. Ao longo dos cinco blocos, Requião trabalhou para passar a imagem de um Osmar sem propostas concretas, ou que copia as ações do governo do PMDB. Já o pedetista insistiu na tecla de que Requião mente. Osmar lembrou ainda o episódio em que Requião colocou sementes de mamona na boca, num encontro com o presidente Lula (PT), além de dizer que o peemedebista tinha a memória fraca. Requião, por sua vez, citou a denúncia de que Osmar havia demitido uma funcionária grávida (o que a assessoria do pedetista diz que foi revertido assim que Osmar soube da gravidez).
Ao abordar o tema segurança, Osmar Dias citou o caso do PM que disparou contra um homem em Guarapuava, durante uma ação policial, matando-o. Lembrou ainda do caso Rasera, o policial civil que foi preso acusado de fazer escutas ilegais. A tática de Osmar Dias foi tentar deixar claro que Requião conhecia Rasera. O peemedebista não deixou barato. ''É ridícula essa questão do Rasera'', defendeu-se Requião, explicando que foi cumprimentado por Rasera na época que foi eleito.
Como nos debates anteriores, Requião ainda insistiu em atacar o grupo político do ex-governador Jaime Lerner (PSB), adversário do peemedebista que apóia a candidatura de Osmar. Também insinuou que Osmar estaria fazendo campanha e recebendo salário do Senado e disse que a fazenda de Osmar é maior que alguns municípios do Paraná. Osmar respondeu que está licenciado (desde o dia 2 de outubro, segundo seus assessores) e não recebe salário.
Pouco depois, o pedetista afirmou que não teria irresponsabilidade de dizer que a usina de gás de Araucária iria explodir, como afirmou o peemedebista. Em outro momento do debate, disse que Requião teria a ''síndrome de Itu'', porque tudo que ele faz seria o melhor. Depois de repetir várias vezes que Requião mentia, o peemedebista devolveu a provocação: ''talvez eu não tenha dito a verdade quando falei que ele era o melhor secretário do País''. Para o eleitor que não acompanhou os programas eleitorais dos candidatos, ficou difícil entender os ataques.

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