Foi um ritual, no qual não faltou cerimônia, o anúncio do ultimato ao presidente Fernando Henrique Cardoso, na última terça-feira. O governador Itamar Franco mais parecia o presidente de outro país que faria um pronunciamento à nação. À frente do seu vice, Newton Cardoso, de secretários de Estado e de comandantes da Polícia Militar mineira, teve sua presença anunciada, num microfone, para uma platéia de jornalistas, seguindo o script de solenidades do Palácio do Planalto, em Brasília.
Já sentado, Itamar foi explicando suas razões, encarnando o papel de chefe de Estado, prestes a declarar a guerra das Alterosas. Minutos antes de anunciar o prazo, fez um discreto sinal, com os olhos, para que sua namorada, a sargento PM Kenia Prates, sua ajudante-de-ordens, providenciasse o envio, por fax, da carta a FHC.
Em seguida, disse que responderia perguntas, o que era previsível, porque, pelo ritual mineiro, entrevista no pavilhão do Palácio da Liberdade é a senha, para a imprensa, de que Itamar está disposto a falar. Mas não aceitou perguntas sobre outros assuntos, alertou a emissora estadual de que esperava que seu pronunciamento estivesse sendo transmitido ao vivo - como realmente estava - e empregou um tom solene e formal.
Nem de longe lembrava o que acontece em São Paulo, onde o governador Mário Covas, quase que diariamente, responde a tudo que lhe perguntam, em qualquer lugar que esteja, num clima bastante informal.
Antes de sair do pavilhão, Itamar ainda fez uma paradinha estratégica ao lado dos policiais, produzindo a foto que os jornais estamparam no dia seguinte.(R.T.)

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