Curitiba - O Paraná chega ao dia que antecede as eleições às escuras sobre como está a corrida eleitoral no Estado. A última pesquisa registrada que ainda estava liberada, feita pelo instituto Alvorada Pesquisas, teve a divulgação proibida, ontem, após decisão da corte do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PR). O tribunal contrariou o voto do juiz auxiliar Daniel Pereira Sobreiro, que havia negado liminar requerida pela coligação ''Novo Paraná'', do candidato ao governo do Estado Beto Richa (PSDB).
Os advogados de Beto questionaram os dados utilizados pelo instituto em relação ao grau de escolaridade e nível econômico dos entrevistados. A pesquisa foi contratada pela Rede Massa e finalizou as entrevistas anteontem. Esse foi o oitavo levantamento sobre as intenções de voto no Paraná impugnado nestas eleições. Todos os pedidos de impugnação foram requeridos pela coligação de Beto Richa ou pelo PRTB. Os últimos números da corrida eleitoral conhecidos no Estado são referentes a entrevistas realizadas entre os dias 13 e 14 de setembro pelo Datafolha.
Também ontem a corte do TRE manteve a impugnação do levantamento Ibope, que havia entrado com recurso na noite anterior. O instituto informou que entraria com novo recurso junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A decisão deve sair na madrugada de hoje. O registro da pesquisa foi suspenso porque o juiz Luciano Carrasco entendeu que os dados utilizados - da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílios (PNAD) 2008 - estariam desatualizados, uma vez que existiam dados da PNAD 2009. A divulgação do resultado da pesquisa foi proibida sob pena de multa de R$ 200 mil.
A presidente do TRE-PR, desembargadora Regina Helena Afonso de Oliveira Portes, abriu a sessão de julgamentos de ontem com um pronunciamento sobre a questão das pesquisas no Paraná. Ela negou que houvesse uma censura e alegou que o tribunal vem apenas respeitando a lei.
Nesta semana, o Instituto de Pesquisas Datafolha requereu à corregedora nacional de Justiça, ministra Eliana Calmon, a instauração de um processo disciplinar contra o juiz auxiliar Nicolau Konkel Júnior, do TRE-PR. A informação foi divulgada, ontem, no jornal Folha de São Paulo, mesmo grupo do instituto. Na representação ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) o Datafolha afirma que a decisão do juiz ''criou um clima de censura no Estado do Paraná''. Os advogados do instituto sustentam que o Datafolha obedece rigorosamente a Lei Eleitoral e seus critérios sempre foram aceitos pelo Tribunal Superior Eleitoral e tribunais regionais eleitorais.

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