Ueno fica fora, pela primeira vez na vida
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quarta-feira, 07 de outubro de 1998
Patrícia Zanin 
O deputado federal parananense Antônio Ueno (PFL), 75 anos, sofreu sua primeira derrota política em 45 anos de vida pública. Ele não conseguiu se eleger para o nono mandato consecutivo na Câmara dos Deputados, frustrando a meta de ser o político com maior número de mandatos no País. Ueno está empatado com Ulysses Guimarães - que teve 11 mandatos - e tentava o 12º (oito como federal, dois como vereador em Assaí, Norte do Paraná)e um na Assembléia Legislativa), mas os 28 mil votos que obteve não foram suficientes.
Meu desafio era ganhar do Ulysses Guimarães, mas não deu. Sempre tem a primeira vez e essa foi a minha, lamentou. Ele tentava disfarçar o descontentamento: Eu sempre fui esportista. Então eu falo que tem que saber ganhar e perder, né? Com a derrota de Ueno, a comunidade nipônica de 150 mil pessoas no Estado, fica sem representante na Câmara. Já em 1997, Ueno afirmava que este seria o seu último mandato.
Ueno admite que está frustrado e atribui o fracasso nas urnas a dois fatores: aos gastos bilionários de outros candidatos - o custo de sua campanha está estimado em R$ 300 mil, de acordo com Paulo Takushi Maeda - e à ausência de 35 mil dekasseguis no dia da votação. Isso foi fatal para o insucesso da campanha. Eu teria muitos votos deles por causa da minha origem, mas eles estão trabalhando no Japão e não puderam votar, afirmou. Ueno fez questão de agradecer pelos mais de 28 mil votos. Nenhum deles foi comprado e sinto decepcionar nossos amigos, mas registro nossos agradecimentos a todos aqueles que nos honraram.
O deputado não acredita que baixa votação, se comparada aos outros colegas do partido, possa ter relação com a reportagem publicada na semana passada pela revista Veja que o apontava e também outro paranaense não reeleito, o deputado federal João Iensen (PPB), como parlamentar que durante toda esta legislatura não apresentou um projeto sequer nem emendas. Não apresentei, mas ajudei a aprovar muitos projetos importantes. Além do mais, o deputado não tem função única de apresentar projetos. Ele também fiscaliza, acompanha. Tenho certeza que cumpri muito bem minha função, afirmou.
Ele disse que, como presidente do grupo parlamentar Brasil-Japão e da Câmara de Comércio Brasil-Japão no Paraná, conseguiu garantir US$ 221 milhões para projetos de água e esgoto no Estado, além de US$ 450 milhões através de um banco japonês para duplicação da Estrada da Morte, que liga São Paulo a Florianópolis (SC).
Ueno já teria sido consultado pelo governador Jaime Lerner (PFL) para participar de seu próximo governo, mas o deputado mantém sua discrição oriental. Vou continuar dando minha contribuição ao Estado e ao País. Vou ajudar o governo estando dentro ou fora dele, despistou. Em novembro, ele comandará a 29ª missão de empresários e líderes políticos ao Japão, da qual participam Lerner, o prefeito de Curitiba, Cássio Taniguchi (PFL), entre outros.


