Arquivo FolhaPonteO deputado federal Antonio Ueno, vestido a caráter: elo entre o Japão e os empresários brasileirosPrestes a completar 74 anos e iniciar campanha para seu nono mandato de deputado federal, Antônio Ueno (PFL), está em busca de um sucessor. Em entrevista à Folha, o deputado diz que espera ser reeleito no ano que vem - ele nunca perdeu uma campanha -, para o que será sua despedida da política. Ueno vive o 11º mandato de sua carreira. São 43 anos de vida pública, iniciados em 1954 como vereador, em Assaí. ‘‘Estou como aquele filósofo à procura do homem certo’’, relaciona, referindo-se ao filósofo grego Diógenes, que usava uma lanterna para tentar achar o homem honesto.
‘‘É preciso aprontar a juventude porque na minha idade, está na hora da retirada’’, diz Ueno, bem-humorado. Nomes ele diz que ainda não tem, mas uma das opções para o futuro pode estar na família: o neto Rogério, de 14 anos. ‘‘Mas ainda é cedo e vai muita preparação. Estamos à procura de pessoas com um perfil de competência, retidão de caráter e de visão internacional’’, explica.
Aliás, o último item parece ser sua maior especialidade: ele já liderou 25 missões econômicas que levaram 500 empresários paranaenses ao Japão. ‘‘A relação Brasil-Japão não é só discurso. Eu faço fisicamente’’. Atualmente, Ueno está envolvido na preparação da vinda do imperador japonês Akihito ao Paraná, no mês que vem, visita que ele denomina de ‘‘o acontecimento do século’’.
Metódico e dono de uma disciplina de fazer inveja, Antônio Ueno quer planejar cada detalhe da visita. ‘‘Tem que ser melhor que nos outros Estados’’, justifica. Na vida e na política, disciplina e paciência orientais estão presentes nas pequenas coisas. Antes mesmo de ser político, Ueno cultiva há 55 anos o hábito de escrever tudo num diário.
O deputado não tem apenas um e sim três cadernos para anotações: um é o diário, o outro é para os compromissos e o último reúne os contatos com as bases. Toda sua atividade parlamentar está nos diários. Até os discursos. ‘‘Tá tudo anotadinho e fica mais fácil de visualizar que no computador’’. Até as reuniões da Câmara de Comércio Brasil-Japão, da qual é presidente, ele registra. ‘‘Meus relatórios ficam melhores que os do meu secretário’’, brinca.
Mas quando o assunto é projeto de lei, ele diz não ter um levantamento e reconhece que seus projetos são cada vez mais escassos. ‘‘Ultimamente nem tenho apresentado projetos. Com esse negócio de editar medida provisória e com as reformas, o governo acabou com os projetos dos deputados’’, esquiva-se.
Ele diz que uma de suas contribuições foi como deputado constituinte, em 1988, quando apresentou 136 emendas à Constituição e teve 34 aprovadas. ‘‘Tive que mostrar trabalho porque poucos nisseis participaram. Mas não trabalhei sozinho, tive ajuda de uma equipe do Paraná e de São Paulo’’, conta, dividindo os méritos. Entre as emendas que ele se lembra e considera importantes estão a isenção de imposto para importação de papel-jornal e a possibilidade de pessoas naturalizadas disputarem vagas na Câmara Federal. A atuação política dele também ficou marcada por sua ausência na votação da emenda das Diretas-já.
Mas Ueno gosta mesmo é de lembrar projetos políticos ‘‘que não sejam projetos de lei’’ e cita a criação do Centro de Tecnologia Brasil-Japão, do Instituto Qualidade e Produtividade e da escola agrícola de Apucarana. Os dois primeiros funcionam em Curitiba e os investimentos, segundo ele, chegam a US$ 30 milhões. As missões ao Japão também resultaram em instalação de várias empresas no Paraná, entre elas a Fiação de Seda Bratac e a Toyo Sen-I.

mockup