A Universidade Estadual de Maringá (UEM) não suspendeu nenhum dos pagamentos irregulares, constatados por uma auditoria que avaliou a produção da folha dos servidores. O relatório da comissão, entregue à reitoria em agosto de 2000, encontrou 18 tipos de irregularidades, como pagamento de gratificações especiais sem critérios e distorções na média de horas extras. Os fatos estão sendo investigados agora em inquérito civil aberto pelo Ministério Público (MP).

Segundo a reitora Neusa Altoé, o período entre a entrega do relatório até abril deste ano, quando surgiu a primeira manfestação da reitoria sobre o caso, foi utilizado para providências junto à Pró-Reitoria de Recursos Humanos, mas sem suspensão de pagamentos. Ela afirmou que nenhum pagamento foi suspenso até agora porque depende de uma observação mais criteriosa do Conselho de Administração (CAD).

O relatório está sendo analisado pelo CAD. ''O conselho pode decidir, inclusive, pela instalação de uma auditoria mais completa para apurar melhor a situação'', disse. O trabalho da comissão que encontrou as irregularidades se concentrou em documentos de outubro de 98 a dezembro de 99. Segundo fontes da Folha, ligadas à reitoria, os desvios podem chegar a R$ 8,6 milhões, o que representa 10% do valor anual da folha de pagamento da instituição.

A reitora negou qualquer tipo de desvio na universidade, mas confirmou a existência de irregularidades. ''Muitos pagamentos de benefícios são feitos por causa de antigas resoluções'', relatou Neusa.

De acordo com o resultado da auditoria, servidores são remunerados à parte por atividades inerentes ao setor de trabalho ou recebem benefícios sem amparo da lei. Há casos também de pagamentos indevidos de adicionais noturnos, de periculosidade e de insalubridade, além de atribuições de cargos e funções sem critérios.

A reitora reconheceu também que as irregularidades acabam provocando o tratamento desigual entre servidores de uma mesma função. ''Em razão disso existe descontentamento por um receber mais que o outro'', afirmou. ''Mas só com o final dos trabalhos do CAD será possível rever ou não alguns casos que realmente estejam irregulares.''

Conforme Neusa, as denúncias de que os benefícios surgiram para uma parcela de servidores que atuou como cabos eleitorais na última eleição para a reitoria não passa de uma atitude ''política''.

Neusa lembrou que o caso começou com a descoberta de um desvio de R$ 8 mil, que teria sido praticado pelo servidor Ivair Spacini dos Santos, exonerado em 1999. A denúncia de corrupção do servidor alertou professores que pediram a instalação de uma auditoria. Segundo a reitora, Santos devolveu o dinheiro e um inquérito policial foi aberto para apurar o caso. ''Mas não deu tempo para um processo administrativo porque o servidor pediu demissão'', disse a reitora.

O MP só tomou conhecimento das irregularidades em setembro deste ano, por causa de uma denúncia apresentada pelo Diretório Central dos Estudantes (DCE). Para Neusa, o DCE deveria ter esperado o fim da análise do CAD. ''Agora fica o MP e o CAD investigando a mesma situação.''

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