UEL vai investigar uso de R$ 1,45 mi em obra
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terça-feira, 22 de agosto de 2006
Fábio Cavazotti<br> Reportagem Local 
O reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Wilmar Sachetin Marçal, deve instaurar na próxima sexta-feira comissão de sindicância para apurar responsabilidade pela obra inacabada da Casa do Estudante. A construção, localizada a menos de 500 metros da reitoria, consumiu R$ 1,45 milhão, foi inaugurada em abril no último dia da gestão Lygia Pupatto/Eduardo Di Mauro, mas até hoje permanece vazia.
Relatório apresentado na reunião do Conselho de Administração (CA) nesta terça-feira indica que o prédio não tem acabamento; calçada no entorno - o que permitiria infiltração; segurança patrimonial e pessoal; piso nos quartos para prevenir condições insalubres ou doenças; corrimão; cortinas e persianas; entre outros itens. Além disso, a previsão de abrigar 140 alunos foi reduzida para apenas 80 com o decorrer da construção.
A abertura da sindicância não foi citada na reunião do CA e foi anunciada durante entrevista coletiva pelo reitor Wilmar Marçal. Inicialmente confuso, o reitor chegou a afirmar à imprensa que considerava bem utilizada a verba liberada para a Casa do Estudante, mas, ante a insistência de que o prédio permanece inacabado, acabou recuando. ''Nesse sentido acho que (o dinheiro) não foi bem usado. Vamos instaurar uma sindicância para apurar.'' No final da tarde, a assessoria de imprensa confirmou que os membros da comissão serão nomeados sexta-feira e as conclusões devem ser apresentadas em 90 dias.
O custo estimado para finalizar a Casa do Estudante é de R$ 300 mil, mas a UEL alega não dispor de recursos neste ano. ''Nós vamos atrás de alguma agência de fomento para conseguir a verba. Esse ano é eleitoral então é difícil conseguir. Esperamos inscrever no orçamento para 2007'', afirmou. De acordo com Wilmar Sachetin, dificilmente a obra será finalizada antes de julho do ano que vem.
Até lá, os aproximadamente 120 estudantes da UEL que dependem de moradia estudantil terão que dividir os alojamentos alugados pela instituição no Hotel Coroados, na região central. ''Lá no hotel é possível acomodar mais um aluno nos quartos individuais e já estamos enviando os beliches para lá. Esta é uma solução emergencial que será adotada de imediato'', disse o reitor.
Os alunos não gostaram da medida e dizem que viverão muito apertados porque os quartos teriam capacidade para apenas 72 pessoas. O acadêmico de administração, Rodrigo Nascimento, de 20 anos, disse que a situação ''vai acarretar mais problemas porque o prédio não comporta todo mundo''.
O representante dos alunos no CA, Rafael Vigentin, também viu a ''solução'' com desconfiança e cobrou apuração rigorosa da construção inacabada da Casa do Estudante. ''É preciso que os nomes dos responsáveis sejam divulgados, eu cobrei isso na reunião mas eles enrolaram. Do jeito que (a Casa do Estudante) está, é um desperdício inacreditável de dinheiro público'', denunciou.


