O Conselho Universitário, órgão máximo da Universidade Estadual de Londrina (UEL), aprovou ontem a contratação da empresa Arrojo e Drigo, de São Paulo, para prestar assessoria jurídica à Comissão Especial de Investigação que apura as denúncias de corrupção na instituição. Na reunião de ontem, também foi aprovada a criação do Fundo de Apoio às Investigações, que vai arrecadar recursos para financiar a contratação da empresa.
‘‘Solicitamos a abertura de uma conta especificamente para atender essa prestação de serviço. O dinheiro arrecadado será gerenciado pela comissão que fará uma prestação de contas no relatório final’’, garantiu o presidente da comissão, professor César Caggiano dos Santos.
Apesar de otimista com a possibilidade de angariar os R$ 40 mil orçados para o serviço através de listas de adesão na comunidade, Caggiano não escondeu a preocupação com o pagamento do contrato. ‘‘Hoje (ontem), durante a reunião da Câmara de Legislação e Recurso, foram colocados vários pontos no sentido de bloquear a criação desse fundo. Então, se não conseguirmos levantar o dinheiro, a comissão assume essa parte do contrato’’, afirmou. Se a arrecadação ultrapassar o valor do contrato, a comissão pretende doar os recursos à biblioteca da UEL.
Embora tenha recebido apenas dois votos contrários e uma abstenção (do total de 50 pessoas que participaram da reunião do conselho), a proposta de criação do fundo enfrentou obstáculos. Após cerca de uma hora de debate, Caggiano ameaçou renunciar ao cargo se a proposta não fosse votada. ‘‘Passamos a semana inteira trabalhando nas questões legais para que pudessemos contratar essa assessoria jurídica; precisávamos de uma posição.’’
Segundo o professor, a comissão entrou em contato com escritórios que prestam assessoria jurídica em Londrina, mas alguns profissionais não estavam se ‘‘sentindo à vontade’’ para trabalhar no caso. ‘‘Por isso optamos por contratar uma empresa que tem experiência. Essa empresa já prestou serviço idêntico na Universidade de São Paulo.’’ Caggiano afirmou que os fatos que a assessoria jurídica deverá trabalhar estão sob sigilo.
O vice-reitor Mauro Ticianelli, que presidiu a reunião do conselho, apoiou a criação do fundo. Segundo ele, o reitor Jackson Proença Testa não compareceu porque queria deixar o Conselho ‘‘à vontade’’.
O ex-auditor da Prefeitura de Londrina Sadi Chaiben passou a integrar a comissão e irá prestar assessoria nos trabalhos de auditagem. A comissão tem até o dia 18 para entregar o relatório final das investigações sobre as denúncias contra o chefe de gabinete da reitoria Itaicy Mendonça (afastado do cargo), o furto de computadores do prédio da reitoria e a evolução da folha de pagamentos.
O Instituto de Criminalística deve entregar hoje o laudo sobre o material apreendido na reitoria (fitas de vídeo, fitas cassete e fotos) a pedido do Ministério Público (MP).

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