UEL prevê colapso com reforma administrativa
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 15 de novembro de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
A reitoria da Universidade Estadual de Londrina (UEL) encaminha amanhã ao governador Roberto Requião (PMDB) e à secretária de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Lygia Pupatto, ofício no qual prevê um colapso nos serviços da instituição caso o Estado corte 183 cargos comissionados (115) e funções gratificadas (FGs, 68) como parte de uma pretendida reforma administrativa. Segundo o reitor Wilmar Marçal, a medida já teria sido anunciada pelo Governo e seria, inclusive, pano de fundo de um projeto de lei encaminhado à Assembléia Legislativa pela regulamentação desses cargos nas instituições de ensino superior do Estado (IEEs).
O ofício saiu de uma reunião do Conselho de Administração (CA) da UEL, que praticamente durante toda a tarde debateu os impactos que os cortes podem trazer à universidade.
O anúncio da regulamentação dos postos fora feito há cerca de dois meses por Requião, em Londrina, que ameaçou reter a folha de pagamentos do mês seguinte caso a instituição não revertesse o reajuste salarial concedido em agosto deste ano a comissionados e FGs. Isso acirrou os ânimos entre a UEL e a Secretaria de Estado de Ciência e Tecnologia (Seti), que, afirmou o reitor, teria ''imposto, de cima para baixo, sem alternativas e sem considerar as realidades diferentes de cada instituição'', os cortes que promoveriam os ajustes. Uma vez aprovada a matéria na AL e sancionada por Requião, as IEEs terão prazo de seis meses para se adequar à nova realidade.
''Colocamos no ofício que só entre a realização de concursos, necessária para suprir esse pessoal, mais as adequações internas ao PCCS (Plano de Cargos, Carreiras e Salários), precisaríamos de todo o ano de 2008.'' O reitor ainda requer no ofício uma reunião de todos os reitores das estaduais com Requião, a fim de colocarem, cada um, os panoramas de cada instituição. No caso da UEL, garantiu, há a ameaça de ''colapso'' na manutenção do campus, atendimento à população e mesmo ao Estado, já que órgãos ligados à instituição prestam serviços ao Governo.
''Os setores mais atingidos serão a Prefeitura do campus, que terá de parar obras e manutenção já que engenheiros contratados ali são assessores, e de carreira, há apenas quatro; a Procuradoria Jurídica, que fiscaliza hoje pelo menos 900 processos, mas tem só quarto advogados estatutários; sem contar a Incubadora Tecnológica, a Rádio Universidade e a Coordenadoria de Processos Seletivos (Cops), que faz o vestibular nosso e mais série de concursos do próprio Estado'', enfatizou. ''O lado acadêmico também será afetado, pois muitas das FGs compõem a hierarquia dos departamentos.''
O ''efeito cascata multidisciplinar'', avalia Marçal, só seria amenizado se o Governo promovesse concursos capazes de recompor o quadro necessário de docentes, ou, pelo menos, ''ouvisse as bases, em vez de promover um corte meramente matemático, sem avaliar que as estruturas são diferentes. Isso é amadorismo.''
No final da tarde, a assessoria de imprensa da Seti não confirmou o número previsto de cortes. ''Existe só o estudo de uma proposta, mas nada ainda ofocial quanto a dados'', informou o órgão. Em Londrina, de manhã, a secretária disse à FOLHA que os critérios da reforma ainda estãos em discussão com os reitores. ''Assim que isso for finalizado, será submetido às secretarias de Planejamento e Administração, e depois ao governador, para ser elaborado o projeto de lei que vai organizar o sistema de ensino superior'', resumiu. (Colaborou Silvana Leão)


