Universidade de Londrina é pioneira no Brasil na pesquisa de um equipamento que converte energia solar em eletricidade
Paulo WolfgangOs estudantes de Engenharia Elétrica Hugo Leonardo Ono e Tadeu Júnior Gross mostram o conversor de energia criado na UEL: equipamento pode ser transportado e tem manutenção fácil
Paulo San Martin
De Londrina
Especial para Folha Ciência
No começo do ano 2.000, o Brasil - um dos países mais ricos do mundo em energia solar - vai ter o primeiro equipamento de baixo custo e com tecnologia nacional capaz de converter a energia do sol em eletricidade. As possibilidades de utilização do novo equipamento são inúmeras. Ele pode fornecer energia para iluminar uma casa, tocar aparelhos domésticos, refrigeradores e computadores ou ser levado dentro de um automóvel para acionar máquinas em locais onde a rede elétrica não chega.
A peça fundamental para a construção deste equipamento, apresentada na semana passada durante o Encontro Regional de Engenharia Elétrica promovido pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), foi desenvolvida nos laboratórios da Faculdade de Engenharia Elétrica da universidade por dois estudantes do terceiro ano e dois professores do curso. ‘‘A função desta peça, chamada conversor de potência, é converter a corrente contínua acumulada em uma bateria de 12 volts para a corrente alternada de 127 volts. Isso permite que a energia da bateria possa ser utilizada em aparelhos domésticos, iluminação convencional e para movimentar motores’’, explica Tadeu Júnior Gross, um dos estudantes envolvidos no projeto.
Sem esta peça, os atuais sistemas de conversão de energia solar em eletricidade seriam inúteis. Os coletores solares captam a energia do sol e a acumulam em forma de eletricidade em baterias especiais de 12 volts. O conversor de potência permite a utilização desta energia para fins domésticos. ‘‘Trata-se de uma tecnologia que já existe na Europa, onde foi desenvolvida por uma grande empresa alemã. No Brasil, estes equipamentos nunca foram popularizados por causa de seu alto custo’’, explica Marcos Pereira Teixeira, um dos proprietários da Conection, empresa instalada na Incubadora de Indústrias de Londrina e que vai produzir o equipamento em escala comercial (leia texto nesta página).
A tecnologia utilizada neste conversor é semelhante àquela empregada em no-breaks que garantem a integridade de aparelhos eletrônicos durante mudanças abruptas de energia. Mas o tipo de onda elétrica gerado nos no-breaks não pode ser utilizado para os mesmos fins. ‘‘A onda dos no-breaks é descontínua e suja, cheia de interferências, e se for utilizadas em uso doméstico pode até queimar as instalações e os aparelhos’’, explica Ono. O grande desafio que a equipe da UEL conseguiu vencer foi o de construir um conversor capaz de gerar ondas limpas, ou seja, ondas que podem ser utilizadas sem problemas em todos os aparelhos domésticos. ‘‘Durante quase um ano, dois engenheiros e dois estudantes trabalharam num laboratório com equipamentos avaliados em mais de US$ 300 mil para desenvolver esta tecnologia. Realmente é uma conquista que não seria possível sem o apoio da universidade’’, avalia Teixeira.
O conversor desenvolvido na UEL tem ainda uma importante vantagem adicional sobre os equipamentos europeus. ‘‘Nosso conversor é pequeno e de manutenção muito simples’’, explica Hugo Leonardo Ono, o segundo aluno responsável pelo projeto. Isso permite que a peça possa ser transportada com facilidade. ‘‘Os equipamentos europeus são instalados no forro de casas ou oficinas. E só podem ser utilizados naqueles locais. No nosso caso, o aparelho e as baterias poderão ser levados para lugares distantes, acondicionados em um rack de fácil manejo’’, afirma Teixeira.
Assim, ele imagina um universo quase infinito de utilidades. Com as baterias já carregadas pelas placas solares e o conversor acondicionado ao lado delas no rack, o pequeno produtor rural pode se deslocar com um carrinho de mão para locais onde a rede elétrica não chega e movimentar equipamentos como furadeiras para consertar cercas ou bombas d’água. ‘‘Mas acreditamos que sua grande utilidade será para uso doméstico, em regiões rurais pobres e distantes’’, diz. O coletor solar acumula energia suficiente para iluminar e movimentar os aparelhos domésticos básicos de uma residência de quatro pessoas durante 6 a 8 horas depois do por do sol. ‘‘Durante o dia, enquanto há sol, o carregamento das baterias é contínuo.

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