A Universidade Estadual de Londrina (UEL) informou ontem à Promotoria de Defesa do Patrimônio Público que não manteve contratos publicitários com a Rádio Nova Ingá, de Maringá, em 1996. A informação foi solicitada na semana passada pelo promotor Bruno Galatti. Ele investiga denúncia de que o chefe de gabinete do reitor Jackson Proença Testa, Itaicy Mendonça, teria sido beneficiado com o superfaturamento de um contrato entre a universidade e a emissora, pertencente ao ex-deputado federal Benedito Pinga-Fogo de Oliveira.
De acordo com documentos encaminhados pela UEL ao Ministério Público (MP), de fevereiro de 97 a maio de 2000, a Rádio Nova Ingá recebeu da universidade R$ 21,3 mil em verbas publicitárias. A documentação também revela que nesse período, a universidade gastou R$ 2.464.078,00 em publicidade e divulgações. O MP também investiga os motivos que levaram a agência Mercer Publicidade, contratada pelo governo do Estado, a distribuir a propaganda feita pela UEL.
Em 1995, a Mercer assinou um contrato de R$ 5,2 milhões com 12 órgãos estaduais, entre eles a Secretaria de Ciência e Tecnologia, à qual a UEL é subordinada. Galatti requisitou à UEL ‘‘todo e qualquer elemento jurídico’’ capaz de justificar a utilização da empresa, que é de Curitiba e licitada pelo governo do Estado.
Ontem, a direção da Rádio Nova Ingá também encaminhou fax à promotoria dizendo que não fez propaganda para a universidade em 1996. Agora o promotor aguarda a chegada dos documentos sobre a quebra do sigilo bancário do apresentador de TV Márcio Mello, de Maringá. Autor da denúncia contra Itaicy, Mello contou em depoimento à promotoria que (entre 97 e 98) teria emitido um cheque de aproximadamente R$ 8 mil para o chefe de gabinete, a pedido do ex-deputado Pinga-Fogo. Ele disse ainda que o cheque voltou duas vezes e depois Itaicy foi pessoalmente a Maringá buscar a importância em dinheiro.
Na sexta-feira, o auditor da UEL, Anisio Ribas Bueno Neto, anunciou que a sindicância aberta para apurar internamente a denúncia só poderá ser concluída após a chegada dessa documentação. Segundo ele, Mello autorizou a universidade a solicitar ao Banco do Brasil, de Maringá, os documentos sobre sua movimentação bancária. Bueno Neto garante que a sindicância será concluída quando a documentação chegar. Itaicy está afastado do cargo desde o dia 24 de maio, após a denúncia ter se tornado pública.

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