UEL gasta R$ 11 mil com relatório de ex-reitora
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terça-feira, 25 de julho de 2006
Guilherme Borges<br> Reportagem Local 
A publicação do relatório intitulado ''UEL - Tempo de luz/2002-2006'', sobre a gestão da ex-reitora da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e atual secretária de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), Lygia Lumina Puppato, e do ex-vice reitor, Eduardo Di Mauro, custou cerca de R$ 11 mil para os cofres da universidade. O relato, em forma de livro, não foi editado nem impresso pela Editora da UEL, que atualmente tem cerca de 24 livros na fila de espera para impressão ou re-impressão.
A tiragem é de mil exemplares, impressos por uma gráfica de Londrina a custo de R$ 5.902,80, conforme empenho registrado e arquivado na Coordenadoria de Comunicação Social (COM) da UEL. Para a produção dos textos do trabalho foi contratado um jornalista, que em 9 de junho recebeu R$ 3.500,00. No mesmo dia, uma diagramadora, contratada para executar o projeto gráfico e a produção da capa da publicação, recebeu R$ 1.500,00.
Na época, a Universidade Estadual de Londrina contava com 15 jornalistas no seu quadro de profissionais, sendo oito na COM, três na Rádio Universidade FM, dois no Hospital Universitário e dois assessores diretos do gabiente do reitor. No próprio empenho, o ex-coordenador da COM, Isaac Antônio Camargo, justifica a contratação pela urgência na produção do material e sobreposição com as atividades cotidianas realizadas pelos jornalistas da universidade.
Na apresentação do livro, assinada pelos ex-reitores, está a explicação de que não se trata de um relatório oficial - apesar de formalmente se assemelhar a um -, mas sim de uma ''memória de quatro anos de trabalho de um grupo de dezenas de pessoas que colocaram o coração para realizar um projeto de Universidade comprometida com a realidade''.
No expediente, aparecem alguns nomes de funcionários e pró-reitores da UEL. A responsável pelo projeto editorial da publicação, Patrícia de Castro Santos - então diretora da Editora da UEL -, afirmou que o trabalho não tem ligação com o setor que dirigia e que cuidou apenas da concepção e produção do projeto do livro, desconhecendo como ele foi pago ou onde foi distribuído.
De acordo com o ex-reitor da UEL, Eduardo Di Mauro, a iniciativa de se publicar esta ''memória de gestão'' não foi tomada durante os três meses em que ficou à frente da universidade. ''Não foi uma decisão tomada em minha administração, até porque nem todas as decisões são do reitor, pois os pró-reitores, em alguns casos, têm autonomia'', afirmou. A reportagem da Folha tentou contato com a ex-reitora, Lygia Puppato, em Curitiba, mas segundo a assessoria de comunicação da Seti ela estava viajando e justificou que a publicação não foi realizada enquanto estava na reitoria da universidade.
O ex-coordenador da COM, Isaac Camargo, confirmou que a publicação foi viabilizada pela coordenadoria de comunicação com o objetivo de registrar, de ''maneira poética'', as ações realizadas durante a gestão de Puppato e Di Mauro. Afirmou que os recursos utilizados não poderiam ser empregados na produção de outros livros - como os que estão na fila para publicação na Editora da UEL -, pois se tratam de rubricas diferentes. Em relação ao valor gasto, Camargo defende que não é um montante exagerado. ''Se olharmos as coisas de maneira unitária, nem grama se corta na UEL, pois isto custa R$ 20 mil, por isso temos que olhar para o todo'', justificou.


