UEL é o próximo alvo da CPI
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quarta-feira, 31 de março de 2004
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - A Universidade Estadual de Londrina (UEL) será o próximo alvo da CPI das Universidades, instalada pela Assembléia Legislativa. A informação, passada pelo presidente da comissão, deputado estadual Mário Sérgio Bradock (PMDB), pegou de surpresa a reitora da UEL, Lygia Pupatto. Ela questiona a motivação das investigações envolverem a instituição, já que não existem denúncias contra a universidade. ''Não recebi qualquer acusação formal. Por que vão fazer uma CPI se não tem denúncia?'', indagou.
O entendimento da reitora é de que ela, como dirigente da instituição, deveria primeiramente ser notificada de eventuais irregularidades para que tomasse providências administrativas necessárias. Para ela, caso houvesse omissão de sua parte, teria-se um fato concreto para ser apurado, o que justificaria, inclusive, seu afastamento do cargo. ''Vão (os deputados da CPI) querer saber o quê? Como estão as contas da UEL? Isso o Tribunal de Contas já faz'', completou.
Lygia Pupatto destacou que tem procurado fazer uma gestão transparente e, por isso, colocou na internet as contas da UEL e garantiu que vai implantar, também, os processos de compras da universidade. ''Não se pode banalizar uma CPI e tem que haver respeito pelas instituições públicas'', concluiu.
A CPI das Universidades foi solicitada pelo deputado Bradock para apurar as denúncias contra a Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Ele recebeu, no final de fevereiro, um dossiê elaborado pelo sindicato que representa os servidores da universidade, apontando supostas irregularidades administrativas e desvios de recursos públicos. Por requerimento do deputado Plauto Miró Guimarães (PFL), que também integra a comissão, a CPI foi estendida para as outras instituições de ensino superior do Estado. A intenção seria de levantar a situação financeira das universidades e a contratação de professores.
De acordo com Bradock, a comissão deve concluir, até o final da semana, a análise da documentação entregue pela UEPG, confrontando com o que foi denunciado. Na última terça-feira, oito funcionários (um deles aposentado) prestaram depoimento à CPI. As declarações, segundo o deputado, já teriam apontado que houve irregularidades, entre elas, desvio de receita do Departamento de Odontologia da UEPG, mau uso dos equipamentos e venda de animais da Fazenda Escola e desvio de combustíveis. Não há data prevista para novas oitivas.
A assessoria de imprensa da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior informou, ontem, que o relatório da comissão de sindicância que também apurou as denúncias contra a UEPG foi encaminhado para a Procuradoria Geral do Estado (PGE) para a instauração de processos administrativos. Os nomes dos envolvidos nas irregularidades não foram divulgados.


