Estudantes da Universidade Estadual de Londrina (UEL) abrigados no Hotel Rio Flat, na região central, criticaram a decisão da reitoria de colocar mais alunos nos quartos individuais para disponibilizar novas vagas. A medida visa resolver a situação dos alunos que dependem de moradia estudantil até o término da Casa do Estudante - construção que consumiu R$ 1,45 milhão mas permanece inacabada. Os quartos individuais do Hotel Rio tem aproximadamente quatro metros de extensão por dois de largura e passarão a abrigar dois alunos - segundo decisão do Conselho de Administração (CA). A UEL gasta mensalmente R$ 30 mil para manter as moradias estudantis improvisadas.
A estudante de Economia, Clécia Satel, de 24 anos, reclamou que os acadêmicos carentes merecem mais respeito da universidade. ''Aqui tem gente que era morador de rua e está estudando, tem gente órfã de pai e mãe, gente que perdeu o emprego. Este é um local para quem não tem condições financeiras'', afirmou.
Clécia mostrou o aperto dos quartos ao abrir os braços e praticamente encostar as mãos nas duas paredes laterais. De acordo com ela, os quartos vão oferecer apenas 4 m2 por aluno - abaixo dos 6 m2 garantidos pela Lei 13.331/01. Para abrigar dois alunos ao invés de um, a UEL vai instalar beliches no lugar das camas simples.
O reitor da UEL, Wilmar Sachetin Marçal, que preside o CA, afirmou que haverá espaço para os novos alunos e argumentou que o descumprimento da lei será revertido após a inauguração da Casa do Estudante. ''Isso é apenas provisório, nós precisamos de uma solução emergencial'', afirmou, após a reunião do CA.
Nesta sexta-feira o reitor deve assinar portaria para instalar uma comissão de sindicância que irá apurar responsabilidades pela interrupção na construção da Casa do Estudante - durante a gestão Lygia Pupatto/Eduardo di Mauro. Inicialmente orçada em R$ 1,2 milhão, a obra - localizada no campus - já consumiu R$ 1,45 milhão mas permanece vazia por falta de acabamento e inadequações do projeto.

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