UEL aponta falta de documentos; empresas criticam reajuste
O relatório da comissão de professores do Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) tem sete páginas, traz sete sugestões (veja infográfico) e apenas duas conclusões. A primeira aponta que o estudo não foi subsidiado por nenhum outro tipo de documento que não, ''única e exclusivamente'', a ''análise técnica da planilha da CMTU-LD''. A segunda conclusão, que não deve ser aplicada tão já pela administração, que alega falta de estrutura para tal, é a criação de mecanismos de ''auditoria, consultoria, assessoria e afins para determinação do valor da tarifa'' - o que, para o grupo da instituição, deve se constituir como política pública permanente do Executivo municipal.
A comissão foi instituída pela reitoria dia 23 passado, um dia depois de o prefeito Barbosa Neto (PDT) solicitar à instituição o estudo técnico da planilha da CMTU. No relatório encaminhado à Prefeitura anteontem à tarde, o grupo aponta que a metodologia adotada está adequada, ''com exceção dos parâmetros (índices) gerais apresentados pelo Geipot''.
Entretanto, a comissão indicou limitações ao trabalho que justificam os apontamentos, no relatório, de que apenas a planilha da companhia foi analisada: o documento cita que pediu à CMTU que requisitasse às empresas as demonstrações contábeis correspondentes aos exercícios de 2004 a 2008 e o balancete elaborado em 30 de junho de 2009. Solicitada a documentação dia 24 deste mês, o material não foi encaminhado, segundo o relatório.
O secretário-geral do sindicato que representa as empresas de transporte coletivo - Francovig e Grande Londrina -, Metrolon, Gildalmo de Mendonça, afirmou que não houve tempo hábil para apresentação do material, o que, disse, deve ser feito hoje. ''Isso que pediram não tem nada a ver com a planilha, não muda nada.'' Sobre a auditoria permanente sugerida pela UEL, o presidente da Francovig, Francisco Francovig, declarou: ''A CMTU já acompanha todo o processo do transporte com seus fiscais, desde a garagem à catraca. Mas tudo o que vier para melhorar o sistema será bem-vindo'', concluiu.
O presidente do Metrolon, Paulo Bongiovani, criticou o valor da tarifa anunciada por Barbosa e o critério escolhido de índice mínimo do Geipot - mas descartou, ao menos por ora, qualquer medida que vise à recomposição do que as empresas achem o valor ideal. ''Há 12 anos adotamos os índices médios até mesmo para garantir nosso equilíbrio de eficiência. A administração teve três meses para fazer um estudo e não fez - agora vamos requisitar a planilha e discuti-la tecnicamente até mesmo com a sociedade civil organizada.'' Segundo Bongiovani, em dezembro de 2008 a recomposição já indicava tarifa de R$ 2,15. ''Menos que isso, agora, não poderia ser'', defendeu.
O presidente da CMTU, Lindomar Mota dos Santos, admitiu que os parâmetros do Geipot, ressalvados pela universidade, podem ser revistos em nova metologia a ser estudada - mesmo porque, lembrou, o contrato firmado em 2004 pondera que o critério é um dos que podem nortear a definição da tarifa. Quando isso será mudado? ''Vamos avançar nos estudos feitos, aos quais a UEL vem ao encontro. Mas são possibilidades.'' (J.G)





