Sorocaba, SP - Advogados da União Democrática Ruralista (UDR) entrarão esta semana com uma representação no Ministério Público Federal (MPF) pedindo a prisão do coordenador nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) João Pedro Stédile por incentivar a invasão de propriedades. Stédile afirmou sábado, durante encontro de movimentos sociais em Mato Grosso do Sul, que está sendo preparada uma onda de invasões em todo o País.
Segundo ele, os movimentos ''infernizarão'' para obrigar o governo a acelerar a reforma agrária e abril será ''o mês vermelho'' a cor do MST. De acordo com o presidente da UDR, Luiz Antônio Nabhan Garcia, o líder dos sem-terra infringiu a Lei de Segurança Nacional (LSN) por atentar contra a ordem política e social do País. ''O que ele está fazendo é a propaganda de processos violentos e ilegais e ameaçando a ordem pública.''
Segundo Nabhan, os advogados entenderam que Stédile extrapolou a esfera do crime comum, pois incita a uma avalanche de crimes contra a ordem pública. ''As declarações foram feitas em rede nacional e, como a pena prevista para o crime prevê reclusão de um a quatro anos, vamos pedir sua prisão e esperamos uma ação rápida das autoridades.'' Segundo ele, a UDR, como entidade representante de uma classe, pode provocar a autoridade constituída para que tome essa providência.
Nabhan espera que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também adote medidas contra Stédile. Ele criticou o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, por não ter repudiado as declarações do líder do MST. ''O governo federal tem a obrigação de preservar a ordem no País e não pode ficar inerte. O Stédile se diz amigo do presidente da República, mas ele não está acima da lei e do interesse coletivo.'' Segundo Nabhan, quando o coordenador do MST fala em infernizar o País, revela que ''é do mal e tem um pacto com o diabo''.
Para o presidente da UDR, as declarações dos líderes do MST e o início da onda de invasões espalham um clima de terror entre a classe produtiva. Ele contou que, na semana passada, a entidade entrou com pedido de abertura de inquérito policial na Delegacia Seccional de Presidente Prudente, no Oeste de São Paulo, contra o bispo diocesano d. José Maria Libório, por ter afirmado, publicamente, numa solenidade, que ninguém era dono das terras do Pontal e que estas deveriam ser ocupadas pelos sem-terra.
''Entendemos que houve apologia do crime.'' Esta semana, a UDR se reunirá com proprietários rurais de Avaré, no sudoeste do Estado, para orientar os fazendeiros a entrarem com pedido de interdito proibitório, visando a evitar a invasão das terras. Segundo ele, depois de terem invadido a Fazenda São Gonçalo, do empresário Ricardo Mansur, ontem, militantes do MST ameaçam entrar em outras fazendas da região.

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