Arquivo FolhaEu acuso!Roosevelt Roque dos Santos acusa o governo de estar sendo conivente com as invasões de terraO presidente da UDR, Roosevelt Roque dos Santos, disse ontem em Caiuá (São Paulo) que o governo Fernando Henrique Cardoso ‘‘financia’’ e ‘‘alimenta’’ a política de invasões praticada, segundo ele, pelo governo Mário Covas (PSDB) em São Paulo. Para o ruralista, as invasões passaram a ser ‘‘um movimento de resultados’’. ‘‘Eles invadem, o governo dá o dinheiro, desapropria a fazenda e dá para os invasores’’, disse. ‘‘O governo federal entra como financiador desse tipo de política.
As declarações foram feitas pouco antes do primeiro ato público da UDR (União Democrática Ruralista) este ano, no Pontal do Paranapanema, extremo oeste de São Paulo. A manifestação reuniu 125 veículos, entre carros, camionetes e caminhões que carregam boi, em uma carreata pela rodovia Raposo Tavares (SP-270). A maioria dos carros portava adesivo da campanha de Roosevelt a deputado federal, pelo PTB.
Cerca de 500 pessoas participaram da manifestação, segundo o major da PM Elio Aparecido Costa. Informado de que movimentos sem-terra pretendiam tumultuar a manifestação dos fazendeiros, o comando da PM colocou 115 homens no município de Caiuá (650 km a oeste de São Paulo). O município é hoje o principal foco de tensão na luta pela terra em São Paulo. Pelo menos quatro movimentos de invasão atuam na região, incluindo o MST. Desde dezembro, ocorreram cinco invasões.
Durante o bloqueio da PM, o sem-terra Onofre Pereira dos Santos foi detido com um revólver calibre 22, sem registro e sem porte. Ele é acampado da fazenda Santa Maria, invadida pelo MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra). O sem-terra foi solto depois de pagar fiança de R$ 44. Ele disse à polícia que usa a arma para se defender.
Os discursos dos ruralistas, feitos de um palanque montado na praça central de Caiuá, mantiveram a linha de críticas aos governos de Mário Covas e FHC. O presidente da UDR foi o mais contundente. ‘‘O que não podemos aceitar é esse conluio do governo com os movimentos de invasão’’, disse.
Para o ruralista, ao desapropriar terras invadidas, o presidente da República está ‘‘alimentando’’ uma ‘‘força que vai se voltar contra ele na reeleição’’. Santos disse temer uma onda de conflitos, em razão da multiplicação dos movimentos de invasão. Só no Pontal, existem oito. Ele voltou a defender o direito de os proprietários de se defenderem, se necessário armados.

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