Curitiba - O presidente da União Democrática Ruralista (UDR), Marcos Prochet, acusou ontem os líderes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) de prática de guerrilha armada e desvio de recursos disponibilizados pelo Banco do Brasil (BB) através do Programa Nacional da Agricultura Familiar (Pronaf). As declarações foram feitas durante o depoimento de ontem da CPI da Terra na Assembléia Legislativa. Prochet não apresentou provas, mas disse que o MST tem escolas de guerrilha espalhadas pelos acampamentos, onde seriam repassadas as instruções sobre as formas mais propícias e efetivas de invasão de terras. ''Eles são organizados. Usam sempre nas invasões as crianças, as mulheres grávidas e os idosos para inibir uma reação por parte dos ruralistas. Somente depois é que entram os outros invasores e os líderes do movimento'', acusou Prochet.
O ruralista apontou ainda a existência de grupos do MST que ganhariam dinheiro arrendando terras, furtando equipamentos e animais de produtores rurais e vendendo produtos retirados de fazendas não desapropriadas e com ordem de reintegração de posse emitida pela Justiça. Uma nota fiscal comprovando a venda desses produtos foi apresentada por Prochet ontem na CPI. ''São acusações graves, diria que bombásticas. Ele ainda apresentou documentos que comprovam que o MST anda armado no campo. Isso pode evidenciar a existência das milícias denunciadas por ele. A CPI agora vai se debruçar nestas investigações'', apontou o deputado Élio Rusch (PFL), presidente da CPI da Terra.
Prochet acusou funcionários do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) de envolvimento com o MST para retardar a emissão de laudos de produtividade de terras e facilitar as invasões de áreas não propícias para a reforma agrária. Entretanto, o ruralista evitou falar nomes. Prochet apresentou uma lista, mantida em sigilo, com nomes de líderes do MST que seriam proprietários de terras e imóveis.
O deputado estadual Mário Sérgio Bradock (PMDB), relator da CPI da Terra, disse que recebeu denúncias de que os sem-terra que vão aos acampamentos seriam financiados pelo MST. Para ele, os coordenadores utilizam o povo como ''massa de manobra'' para conquistar poder político e difundir pensamentos políticos de esquerda. ''Tem prefeitos, vereadores e deputados que vivem politicamente do MST. Ninguém tem interesse em resolver o problema da terra no Brasil'', disse Bradock.
O deputado estadual Tadeu Veneri (PT), que faz parte da CPI, não considerou o depoimento de Prochet como relevante. ''O depoimento não foi sólido. Ele foi genérico e não trouxe qualquer prova contundente das acusações que fez'', analisou. Um dos coordenadores do MST no Paraná, José Damasceno, disse ontem à Folha que não iria perder tempo respondendo denúncias feitas por Prochet. De acordo com ele, as denúncias são ''infundadas'' e ''absurdas''. ''Todos sabem que a UDR sempre lutou contra a reforma agrária'', declarou Damasceno.

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