Brasília - A página no Twitter do presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), foi invadida ontem por manifestações indignadas de internautas contrários à decisão da Casa de só realizar votações às terças, quartas e quintas-feiras. Embora essa seja uma prática dos deputados, a Câmara aprovou anteontem mudança no regimento interno para que as sessões deliberativas, em que a presença dos parlamentares é obrigatória, ocorram apenas três vezes por semana.
Há mais de 120 comentários criticando a decisão só no início desta tarde, mas as críticas na página do petista começaram desde a aprovação da mudança. São frases do tipo ''são pessoas como você que me fazem ter vergonha de ser brasileiro'' ou ''daqui a pouco os deputados vão querer fazer home office''.
Apesar da enxurrada de críticas, o deputado não respondeu aos ataques. Há internautas que sugerem ao deputado reduzir os salários dos parlamentares proporcionalmente à diminuição na jornada de trabalho.
Maia trocou farpas anteontem com o deputado federal Rubens Bueno (PPS-PR), que negou ter apoiado a proposta. Líder do PPS, Bueno disse que o partido votou contra a aprovação da mudança e classificou a medida de ''gazeta'' na Câmara. Em nota direcionada a Bueno, Maia disse que a reação do deputado é ''mais um devaneio de quem desconhece o regimento da Câmara e a prática legislativa''.
Sem justificar os motivos para a mudança, Maia diz na nota que o parlamento brasileiro ''é um dos que mais aprova no mundo'' e afirma que, se o deputado tivesse ''inteligência emocional'' procuraria se informar sobre o funcionamento do Congresso em outros países. ''O Legislativo brasileiro é um dos poucos que funciona cinco dias por semana durante o ano todo. O desconhecimento do deputado talvez esteja baseado na sua própria prática de considerar apenas a atividade parlamentar a presença em plenário, o que não é a realidade da maioria dos parlamentares que hoje atua na Câmara dos Deputados'', afirma Maia na nota.
Mudança
A alteração no regimento formaliza o esvaziamento das sessões realizadas nas segundas e sextas-feiras no plenário. A proposta foi assinada pelo presidente da Casa, Marco Maia (PT-RS), e pelos demais integrantes da mesa diretora da Câmara. A votação no plenário foi feita de forma simbólica, ou seja, sem que os deputados precisassem colocar no painel um posicionamento contra ou a favor do projeto.
As regras anteriores definiam que as reuniões ordinárias deveriam ser realizadas de segunda a sexta-feira. O texto aprovado pelos deputados reduz a realização dessas sessões para as terças e quintas-feiras, iniciando-se a partir das 14 horas. Na prática, a mudança do regimento impossibilita que ocorra votação às segundas e sextas.
A proposta aprovada ainda abre a possibilidade para que às segundas e sextas-feiras sejam feitos debates, porém sem ''ordem do dia'', o que também impede a votação dos projetos que aguardam para serem apreciados no plenário. As sessões de homenagem também poderão ser feitas após os debates por um prazo não superior a 30 minutos quando o homenageado não for uma autoridade.

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