TV Senado pode chegar aos canais abertos
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sábado, 20 de setembro de 2003
João Domingos<br> Agência Estado 
Brasília - Não é só o Poder Executivo que está investindo na qualificação e profissionalização de seu setor de comunicação social. Câmara e Senado montaram poderosas e modernas emissoras de rádio e TV, com equipamento de última geração, tecnologia de transmissão digital e até canal exclusivo em satélite. Elas já alcançam os locais onde há o serviço de TV por cabo, mas têm planos de chegar também aos canais abertos e a todo o País.
As duas Casas do Congresso investem principalmente no jornalismo, com cobertura dirigida exclusivamente para suas atividades. Os diretores dos setores de comunicação do Senado e da Câmara dizem que o quórum das sessões legislativas melhorou desde que as emissoras entraram no ar.
''As imagens e o som das comissões e do plenário ajudam a manter, aumentar a presença e a dar transparência aos trabalhos'', afirma Armando Rollemberg, secretário de Comunicação do Senado. ''Isso é importante para a democracia, porque o eleitor pode acompanhar o que faz seu parlamentar.''
Por enquanto, a TV Senado é transmitida por cabo. Mas a intenção, diz Rollemberg, é entrar na programação aberta para atingir a todos os eleitores. Já a Rádio Senado hoje envia sua programação para 300 emissoras, que podem retransmitir, na íntegra ou por partes, o conteúdo jornalístico gerado em Brasília. Na capital, a emissora transmite em FM, com 10 quilowatts de potência e alcance em um raio de 150 quilômetros; para as Regiões Centro-Oeste, Norte e Nordeste, a transmissão é feita em ondas curtas.
Mesmo estando com suas emissoras no ar há 7 anos, nem a Câmara nem o Senado fizeram até hoje algum estudo sobre a audiência que têm. Marilena Chiarelli, diretora da TV Senado, acha que é grande, porque recebe pelo menos 300 mensagens por e-mail mensalmente, com sugestões, críticas ou pedidos para que a emissora cubra um território maior. ''Pelo retorno dos telespectadores, sabemos que atingimos um público grande, embora só possamos contar com a medição das TVs a cabo.''
Sueli Navarro, diretora da TV Câmara, afirma que a repercussão das votações em plenário, das polêmicas nas comissões, e do debate que normalmente a emissora faz por volta do meio-dia, na sexta-feira, tem sido muito grande. ''Não temos nenhuma medida, mas o eco dos programas que transmitem os debates e as votações é muito bom.'' Além do mais, lembra ela, agências de notícias, jornais e emissoras de televisão particulares se pautam pelos debates. Pelo menos dois deles - um com o ministro da Previdência, Ricardo Berzoini, outro com o ministro da Fazenda, Antônio Palocci - deram aos jornais suas manchetes principais do dia seguinte.
Para tocar seus projetos de comunicação, o Senado e a Câmara fizeram investimentos milionários em material de última geração e contratação de equipes. A Rádio Senado tem 86 funcionários. A TV Senado, 163. Ambas as emissoras pagam salários de até R$ 5 mil. A Rádio Câmara funciona com 60 empregados, a TV Câmara com 144 servidores. Recentemente, foi aberto concurso para a contratação de mais 17 jornalistas.


