Ninguém admite qualquer projeto formal ou conversa oficial sobre o assunto. Mesmo assim, já está adiantada na Câmara de Vereadores de Londrina a instalação de equipamentos que, no futuro, possibilitem a instalação da TV Câmara, sonho de consumo de boa parte dos parlamentares londrinenses já há quase 10 anos.
Esta semana começaram a chegar e a ser instalados os equipamentos de informática adquiridos no processo licitatório realizado em novembro passado. De acordo com o diretor da Câmara, Rubens Canizares, foram gastos cerca de R$ 330 mil com a aparelhagem, que inclui 40 microcomputadores de última geração e 34 impressoras, além de gravadores de DVD, scanners, softwares e switches
(mesas de corte para áudio e vídeo). Ao longo do edital, aparecem também três estações de captura e edição não-linear, duas estações de digitalização, tratamento de imagem e de criação multimídia, além de uma estação de imagem digital.
Canizares afirmou que parte dos computadores será distribuída aos 18 gabinetes parlamentares, que, com isso, passarão a ter duas máquinas cada. Os demais irão para setores de informática, atas, compras e para a recém-criada Controladoria-Geral. Foi logo após a criação desse novo posto, por sinal, que em novembro do ano passado o presidente do Legislativo, Orlando Bonilha (PL), admitiu que as mudanças estruturais estabelecidas com o projeto seriam as primeiras das que viriam a seguir. Para o vereador, todas elas convergeriam para um objetivo comum: a instalação da TV Câmara. ''São adequações rumo à TV Câmara, sim. Se a Assembléia Legislativa tem, podemos também'', justificou Bonilha à Folha, na ocasião.
Ontem, o diretor evitou relacionar o material adquirido na licitação à instalação da TV. Na avaliação de Canizares, a proposta é que as imagens a serem geradas pelas câmeras e transmitidas on line pela internet tenham qualidade de transmissão televisiva, mas para outras finalidades. ''Antes, não havia qualquer tipo de tratamento dessas imagens. E volta e meia somos requisitados a fornecê-las tanto para escolas quanto para materiais de pesquisa fruto, por exemplo, de audiências públicas'', justificou.
Por outro lado, questionado se o 'upgrade' na qualidade audiovisual não poderia ser usado além da transmissão on line, em uma eventual TV, Canizares admitiu: ''Já temos equipamento para isso, com um custo-benefício interessante, tanto que não o compraríamos para deixar de fazer algo nesse sentido'', disse, para fazer uma resalva: ''Mas para a TV seriam necessários alguns outros equipamentos e, claro, uma equipe de profissionais que desse conta de todo o serviço. Ainda não há essa discussão oficial, tampouco um projeto definido sobre isso'', garantiu, sem esconder que o desejo antigo da Casa, ao menos nos bastidores, ainda permeia, sim, a imaginação dos integrantes do Plenário.

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